Caso Grecima: Manuel Rabelais nega utilização de 98.3 milhões de euros

  • Julgamento de Manuel Rebelais(Dir.), Antigo diretor do extinto Gabinete de Revitalização da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA).
Luanda – O ex-director do extinto Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (Grecima), Manuel Rabelais, negou hoje que os 98.3 milhões de euros disponibilizados pelo Banco Nacional de Angola (BNA), entre 2016 a 2017, tenham sido utilizados na totalidade pela instituição.

 Ao responder ao interrogatório, no julgamento que decorre no Tribunal  Supremo, em Luanda,  desde o dia 9 do corrente mês, no qual é indiciado pelos crimes de peculato, violação das normas de execução  orçamental e branqueamento de  capitais, explicou que parte deste montante  serviu para apoiar  diversos órgãos de comunicação social públicos e privados.

 De acordo com Manuel Rabelais, o Grecima enviou cartas ao BNA  para  facilitar a aquisição de divisas ao Ministério de Comunicação  Social,  RNA,TPA, ANGOP, Edições Novembro, TVZimbo e  Semba Comunicação.

 Na realidade, referiu o réu, o Grecima usou apenas em seu benefício, para cumprir com a sua  missão, entre 20 a 30 milhões de euros, contrariamente ao que consta na acusação do  Ministério Publico.

Sustentou, por outro lado, que desse montante foram transferidos para o exterior cerca de 16 milhões de euros  para pagar a prestação de serviços por parte de diversas  empresas para o resgate da imagem do país  no estrangeiro.

 O réu salientou que dessa acção  o destaque vai para  o trabalho levado  a cabo junto da Euronews, que antes de 2017 nunca tinha  emitido uma noticia positiva sobre Angola, passando a divulgar uma imagem que  orgulhou todo o cidadão angolano.

Explicou  que  durante dois meses esta estação internacional emitiu programas de resgate da imagem de Angola em 14 línguas diferentes, sendo visualizadas em média por dois  mil cidadãos diariamente a nível mundial.    

 Negou ter usado em beneficio pessoal o processo de compra e venda de divisas executado pelo  BNA,   afirmando, no entanto, a venda desses montantes a empresas consideradas idóneas.   

Questionado sobre a entrega ao co-réu Hilário Gaspar Santos de 40 mil euros,  confirmou o facto, explicando que o  mesmo tinha sofrido um assalto, no qual foi baleado, e havia necessidade de fazer um tratamento adequado.

 No entanto, explicou que parte desse montante teve de ser utilizado na transferência de um parente para a República de  Cuba, por se encontrar gravemente doente. 

Manuel Rabelais revelou igualmente  que a instituição de que era responsável não tinha serviços de contabilidade, devido ao carácter secreto e sigiloso da actividade que desenvolvia.    

A prestação de contas devia ser feita de forma oral e apenas ao Presidente José Eduardo dos Santos, sublinhou, acrescentando que "todas as operações de transferência monetária deveriam ser efectuadas com o carácter secreto, sem papel, sem deixar rastos e a prestação de contas feita de forma verbal e só a ele”, indicou o réu, que disse desconhecer o montante dos movimentos.

Manuel Rebelais reiterou que o Grecima dependia apenas do Chefe de Estado e do seu director e que a implementação de algumas acções era feita em coordenação com a então Casa Militar (hoje Casa de Segurança) do Presidente da República.

A criação do Grecima, afirmou, tinha como motivação principal a melhoria, defesa e promoção da imagem de Angola dentro e fora do país. "A percepção que se tinha de Angola no exterior era de um país altamente corrupto, desde o Presidente da República, membros do Governo, parlamentares, tribunais e jornalistas”, disse, acrescentando que foi para se mudar este quadro que se criou o Grecima.

Para cumprir aquela missão, frisou, aquele órgão precisava de dinheiro, pois não tinha disponibilidade financeira, apesar de o Orçamento Geral do Estado ter previsto verbas para aquele fim. A dificuldade financeira justificava-se com o momento de crise que o país atravessava.

O  julgamento prossegue nesta terça-feira.

 

 

 Ao responder ao interrogatório, no julgamento que decorre no Tribunal  Supremo, em Luanda,  desde o dia 9 do corrente mês, no qual é indiciado pelos crimes de peculato, violação das normas de execução  orçamental e branqueamento de  capitais, explicou que parte deste montante  serviu para apoiar  diversos órgãos de comunicação social públicos e privados.

 De acordo com Manuel Rabelais, o Grecima enviou cartas ao BNA  para  facilitar a aquisição de divisas ao Ministério de Comunicação  Social,  RNA,TPA, ANGOP, Edições Novembro, TVZimbo e  Semba Comunicação.

 Na realidade, referiu o réu, o Grecima usou apenas em seu benefício, para cumprir com a sua  missão, entre 20 a 30 milhões de euros, contrariamente ao que consta na acusação do  Ministério Publico.

Sustentou, por outro lado, que desse montante foram transferidos para o exterior cerca de 16 milhões de euros  para pagar a prestação de serviços por parte de diversas  empresas para o resgate da imagem do país  no estrangeiro.

 O réu salientou que dessa acção  o destaque vai para  o trabalho levado  a cabo junto da Euronews, que antes de 2017 nunca tinha  emitido uma noticia positiva sobre Angola, passando a divulgar uma imagem que  orgulhou todo o cidadão angolano.

Explicou  que  durante dois meses esta estação internacional emitiu programas de resgate da imagem de Angola em 14 línguas diferentes, sendo visualizadas em média por dois  mil cidadãos diariamente a nível mundial.    

 Negou ter usado em beneficio pessoal o processo de compra e venda de divisas executado pelo  BNA,   afirmando, no entanto, a venda desses montantes a empresas consideradas idóneas.   

Questionado sobre a entrega ao co-réu Hilário Gaspar Santos de 40 mil euros,  confirmou o facto, explicando que o  mesmo tinha sofrido um assalto, no qual foi baleado, e havia necessidade de fazer um tratamento adequado.

 No entanto, explicou que parte desse montante teve de ser utilizado na transferência de um parente para a República de  Cuba, por se encontrar gravemente doente. 

Manuel Rabelais revelou igualmente  que a instituição de que era responsável não tinha serviços de contabilidade, devido ao carácter secreto e sigiloso da actividade que desenvolvia.    

A prestação de contas devia ser feita de forma oral e apenas ao Presidente José Eduardo dos Santos, sublinhou, acrescentando que "todas as operações de transferência monetária deveriam ser efectuadas com o carácter secreto, sem papel, sem deixar rastos e a prestação de contas feita de forma verbal e só a ele”, indicou o réu, que disse desconhecer o montante dos movimentos.

Manuel Rebelais reiterou que o Grecima dependia apenas do Chefe de Estado e do seu director e que a implementação de algumas acções era feita em coordenação com a então Casa Militar (hoje Casa de Segurança) do Presidente da República.

A criação do Grecima, afirmou, tinha como motivação principal a melhoria, defesa e promoção da imagem de Angola dentro e fora do país. "A percepção que se tinha de Angola no exterior era de um país altamente corrupto, desde o Presidente da República, membros do Governo, parlamentares, tribunais e jornalistas”, disse, acrescentando que foi para se mudar este quadro que se criou o Grecima.

Para cumprir aquela missão, frisou, aquele órgão precisava de dinheiro, pois não tinha disponibilidade financeira, apesar de o Orçamento Geral do Estado ter previsto verbas para aquele fim. A dificuldade financeira justificava-se com o momento de crise que o país atravessava.

O  julgamento prossegue nesta terça-feira.