Huambo: O reerguer de um “gigante”

  • Uma fachada Cidade do Huambo
Huambo - A província do Huambo, que se estende ao longo das terras férteis do planalto central de Angola, apresenta, nos últimos dez anos, sinais visíveis de um “gigante” a reerguer-se dos escombros deixados pela guerra.

Considerado o segundo maior parque industrial do país, na era colonial, o Huambo era detentora, na altura, de indústrias de vestuário (York...), refrigerantes, derivados de carne, motorizadas, agro-pecuária e outros.

Durante várias décadas, a antiga cidade de Nova Lisboa foi considerada o maior celeiro de Angola, com grande potencial agrícola, tendo jogado um papel primordial na estabilidade do Parque Industrial do país, sobretudo a indústria agro-alimentar.

Hoje, livre dos escombros, o Huambo tem vindo a recuperar importantes infra-estruturas, deixando para trás o triste cenário da guerra, que, durante vários anos, destruiu o seus activos sociais e económicos.

São visíveis, actualmente, os sinais de recuperação no domínio das estradas, da construção de novas centralidades, além do reforço do abastecimento de água potável, entre outros projectos de impacto sócio-económico.

A transformação do Planalto Central deve-se, essencialmente, ao reforço dos investimentos do Estado em infra-estruturas e à implementação do PIIM, programa lançado há dois anos, pelo Presidente da República, João Lourenço.

Com esse programa, apresenta-se, hoje, como um exemplo na execução destas acções, com foco na elevação da qualidade de vida da população local.

De acordo com as autoridades locais, além do PIIM, uma iniciativa governamental que visa o bem-estar da população e o desenvolvimento integrado, sendo que nele foram já inscritos 306 projectos relacionados com o Programa de Investimentos Públicos (PIP) e com as Despesas de Apoio ao Desenvolvimento e Actividade Básica.

A previsão orçamental desses projectos está acima dos KZ 52 mil milhões, segundo o director do Gabinete local de Estudos e Planeamento, Bernardo Domingos Elavoco.

Conforme aquela autoridade, entre os projectos de âmbito central, do Governo da província e das administrações municipais, 259 foram remetidos e aprovados pela Direcção Nacional de Investimentos Públicos (DNIP).

Bernardo Domingos Elavoco indicou que os referidos projectos estão em execução com uma cabimentação orçamental acima de 21 mil milhões de kwanzas, sendo os sectores da saúde, educação e obras públicas os que mais acções têm inscritas e aprovadas.

Além dos projectos mencionados, estão previstas 69 acções no sector da educação, com realce para construção de escolas, nos 11 municípios da província.

Das escolas em perspectiva, 35 terão sete salas de aula, 11 de 12 salas e uma de 15, que vão se juntar às mil e 228 já existentes naquele território do Planalto Central.

Quanto ao sector da saúde, Bernardo Domingos Elavoco adianta que está prevista a construção de várias infra-estruturas, com destaque para centros médicos (4), postos de saúde (16), a requalificação de seis unidades sanitárias.

Também está projectado a construção de uma repartição de saúde e acções de apetrechamento, num total de 33 acções.

No segmento da energia eléctrica, avançou que o PIIM tem inscrito oito acções de requalificação da rede de electricidade, a aquisição de vários grupos de geradores, a construção de sete captações de água e 32 manivelas.

Já no domínio das infra-estruturas do ordenamento do território, o responsável referiu que o programa contempla a asfaltagem de 12 quilómetros de estradas, a reciclagem de outros 15 e a terraplanagem de 182 quilómetros, bem como a construção de seis pontes.

A população da Caála testemunhou, recentemente, a inauguração de dois quilómetros de estradas asfaltadas e sinalizadas, num investimento avaliado em Kz 197 milhões, numa altura em que decorrem outras obras de reabilitação e colocação, pela primeira vez, de tapete asfáltico nas comunas da Calenga, Catata e Cuima, município da Caála.

Das empreitadas adjudicadas à empresa Elevo Engenharia estão previstas a asfaltagem, ainda este ano, de três quilómetros de estradas no interior da comuna da Calenga, dois na do Cuima e um na da Catata.

Bernardo Domingos Elavoco adiantou que, recentemente, foi feito um remanejamento no PIIM junto do Ministério das Finanças, numa acção que permitiu o enquadramento de 43 projectos, antes paralisados, por falta de financiamento.

Entre os projectos constam a asfaltagem de dez quilómetros de estradas para a cidade do Huambo, a construção da pontes sobre os rios Cutato e Cunene, localizados nos municípios do Mungo e Chicala-Cholohanga, respectivamente.

A construção de empreendimentos está a substituir os escombros ainda visíveis no interior da província e colmatar o défice de infra-estruturas nos municípios.

 

Mais centralidades, água e luz

A entrada em funcionamento das centralidades do Lossambo (Huambo) e Fernando Faustino Muteka (Caála), com duas mil e nove moradias e 4001, respectivamente, representam um dos maiores investimentos do Governo, nos últimos cinco anos.

Os beneficiários são, maioritariamente, jovens que encontram nessa iniciativa a possibilidade da realização do sonho da casa própria.

Entretanto, no domínio habitacional, estão a ser construídas 200 residências por cada município, no âmbito do programa de fomento habitacional do Executivo, além de outras infra-estruturas sociais projectadas, como lojas, escolas primárias, secundárias, institutos profissionais, centro de saúde, centros infantis e jardins-de-infância.

A par destas, está em fase de acabamento a centralidade do Bailundo, com três mil moradias da mesma tipologia T3 e diversos equipamentos sociais.

De igual modo, estão a ser erguidas três subestações eléctricas,  localizadas no perímetro florestal do Sacaála, no bairro Cambiote, e na zona industrial da Chiva, arredores da cidade do Huambo, entraram em funcionamento nos últimos anos.

Essas subestações têm capacidade para transformar e distribuir, cada uma delas, 50 megawatts, 40 dos quais já disponíveis. Os resultados destes investimentos já se fazem sentir na melhoria da rede domiciliar de iluminação pública.

A construção das mesmas permitiu a concretização de 48 mil ligações (16 mil para cada uma), no quadro da execução do projecto de electrificação e ligações domiciliares da cidade do Huambo e arredores.

Os contratos relativos à efectivação das subestações foram assinados em 2016, pelo Ministério de Energia e Águas.

No total, foram empregues na construção das três (subestações) 180 milhões de dólares norte-americanos, correspondendo a USD 60 milhões por cada uma, sendo que  recebem energia eléctrica a partir das centrais térmicas do Belém e Benfica.

Com estas três subestações, a província passa a contar com quatro, que recebem energia de alta tensão e a transformam em média, para posterior distribuição aos postos de transformação, onde a energia é convertida em baixa tensão.

Quanto às fontes de produção eléctrica, estão disponíveis o aproveitamento hidroeléctrico do Ngove, com 20 megawatts, as centrais térmicas do Benfica, com 30 megawatts, e a do Belém, com 50 megawatts.

Desde Abril deste ano, a província do Huambo passou a receber 70 megawatts de energia produzida na barragem hidroeléctrica do Laúca, na província de Malanje.

No capítulo da distribuição de água potável, foi concluindo, em 2020, o projecto de reforço do sistema de abastecimento de água potável a partir do rio Kunhongamua, que permitiu efectuar 90 mil ligações domiciliares, com capacidade para bombear 46 mil metros cúbicos por dia.

O empreendimento, cuja construção teve início em 2016, integra também os centros de distribuição de água nas zonas do Quartel-General da Região Militar Centro, escola Deolinda Rodrigues, assim como nos bairros Belém e São João.

Combate à pobreza

Apesar da estiagem verificada, este ano os campos voltaram a florir, assistindo-se a uma progressiva retoma da produção em grande escala. Os cereais destacam-se nos campos desta província do Planalto Central depois de muitos anos “agarrada” a uma agricultura familiar.

O relançamento da agricultura industrial é agora o principal objectivo, processo que começou no município da Caála, com a identificação de reservas agrícolas nas comunas da Catata, Cuima, Calenga e comuna sede, onde foram preparados aproximadamente 50 mil hectares de terras aráveis.

A agricultura está a ser ainda potenciada por um interposto de conservação de produtos agrícolas da comuna da Calenga, em fase de ampliação, onde, actualmente, funciona o Programa de Aquisição de Produtos Agro-pecuários (Papagro), mediante o qual são vendidos, semanalmente, em média, 700 toneladas de produtos diversos.

A província do Huambo, com 11 municípios, apresenta fortes potencialidades agrícolas, com o registo, até 2017, de 398 fazendas, das quais 222 em actividade.

Isso corresponde a uma área de 239 mil e 743 hectares, produzidas por 270 empresários associados em cooperativas e associações de camponeses.

Na época agrícola 2020/21, por exemplo, a província do Huambo cultivou mais de 700 mil hectares de terras aráveis, com o envolvimento de 256 mil famílias camponesas, que beneficiaram de 31 toneladas de adubo, outras 12 de ureia e 15 toneladas de amónio.

A circulação do comboio do Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) está a proporcionar, entre outros ganhos, a revitalização do parque industrial, assim como o escoamento dos produtos hortícolas desta província para Benguela, Bié e Moxico.

O Huambo, com pólos de atracção turística inexplorados, tem mil e 444 produtores agro-pecuários e industriais, além de dois potenciais exploradores de minérios.

Por sua vez, o sector da indústria, que foi no passado um dos maiores do país, também tende a recuperar-se. O investimento público e privado, nesse domínio, já deu lugar a 272 unidades industriais, que se encontram em funcionamento.

Isso representa a vontade do empresariado em apostar nesta região e aproveitar as condições naturais postas à disposição.

O maior número de indústrias é do ramo de transformação (264), ao passo que oito se dedicam à actividade extractiva, além de existirem outras em funcionamento mas não cadastradas, aquando da realização do Censo, em 2014.

Na altura, o Instituto Nacional de Estatística tinha cadastrado 564 unidades industriais.

A província tem também o Pólo de Desenvolvimento Industrial da Caála, no município com o mesmo nome, numa área adjacente aos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB).

No pólo industrial do município da Caála, com uma área de 980 mil metros quadrados, prevê-se a montagem de 40 fábricas diversas, nomeadamente de chocolates, bolachas, vidros, janelas, ferragens, arame farpado, malha sol, tintas, diluentes, betumes, lâmpadas, fios e cabos eléctricos, aglomerados de madeira e uma gráfica.

As unidades fabris de processamento e transformação de hortofrutícolas, calçados de couro, ração animal, rádio e televisão, colchões de mola e espuma, assim como de pneus para automóveis são outras que estão previstas para o Pólo Industrial da Caála.

O referido parque industrial já tem em funcionamento a fábrica de colchões, de tijolos e de confecção de mobiliário doméstico, incluindo carteiras escolares.

Além de todos esses factores positivos, a localização geográfica do Huambo também constitui mais-valia para as comunidades locais, na medida em que muitos investidores, especialmente estrangeiros, podem transportar as matérias-primas e demais bens, por via terrestre e ferroviária, em tempo útil, a partir do CFB e do Porto do Lobito, localizado na província de Benguela.

Habitada por dois milhões, 557 mil e oito pessoas, distribuídas em 11 municípios, 37 comunas e 3.387 aldeias, que perfazem uma extensão territorial de 35 mil e 771 quilómetros quadrados, a província do Huambo está localizada no Planalto Central, que lhe permite ter ligação rodoviária com maior parte das regiões do país.

Limitada a Norte pela província do Cuanza Sul, a Este pelo Bié, a Sul pela Huíla e a Oeste por Benguela. A maioria da população do Huambo é de origem Ovimbundu, sendo o mítico caçador Wambo Calunga, fundador do Reino de Wambo.

Conhecida como a terra dos soberanos Ekuikui, Katiavala e Mutu Ya Kevela, a província do Huambo foi palco de grandes lutas armadas contra a opressão colonial, que terminou com a Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.

No caso particular da cidade do Huambo, sede da província com o mesmo nome, fundada a 8 de Agosto de 1912, teve a designação de Nova Lisboa em 1928, devido ao seu clima, posição geográfica favorável para agricultura, além de boa rede hidrográfica.

Parecia reunir condições para o desenvolvimento urbano, tendo por isso sido identificada como uma potencial capital da colónia.

No entanto, foi preterida por Luanda pela sua localização litoral. Huambo é um marco da arquitectura colonial, com edifícios tradicionais e largas avenidas.

Reza a história que Huambo foi a província com maior população de Angola até antes da Guerra Colonial (na época chamava-se Nova Lisboa).

 

 

Considerado o segundo maior parque industrial do país, na era colonial, o Huambo era detentora, na altura, de indústrias de vestuário (York...), refrigerantes, derivados de carne, motorizadas, agro-pecuária e outros.

Durante várias décadas, a antiga cidade de Nova Lisboa foi considerada o maior celeiro de Angola, com grande potencial agrícola, tendo jogado um papel primordial na estabilidade do Parque Industrial do país, sobretudo a indústria agro-alimentar.

Hoje, livre dos escombros, o Huambo tem vindo a recuperar importantes infra-estruturas, deixando para trás o triste cenário da guerra, que, durante vários anos, destruiu o seus activos sociais e económicos.

São visíveis, actualmente, os sinais de recuperação no domínio das estradas, da construção de novas centralidades, além do reforço do abastecimento de água potável, entre outros projectos de impacto sócio-económico.

A transformação do Planalto Central deve-se, essencialmente, ao reforço dos investimentos do Estado em infra-estruturas e à implementação do PIIM, programa lançado há dois anos, pelo Presidente da República, João Lourenço.

Com esse programa, apresenta-se, hoje, como um exemplo na execução destas acções, com foco na elevação da qualidade de vida da população local.

De acordo com as autoridades locais, além do PIIM, uma iniciativa governamental que visa o bem-estar da população e o desenvolvimento integrado, sendo que nele foram já inscritos 306 projectos relacionados com o Programa de Investimentos Públicos (PIP) e com as Despesas de Apoio ao Desenvolvimento e Actividade Básica.

A previsão orçamental desses projectos está acima dos KZ 52 mil milhões, segundo o director do Gabinete local de Estudos e Planeamento, Bernardo Domingos Elavoco.

Conforme aquela autoridade, entre os projectos de âmbito central, do Governo da província e das administrações municipais, 259 foram remetidos e aprovados pela Direcção Nacional de Investimentos Públicos (DNIP).

Bernardo Domingos Elavoco indicou que os referidos projectos estão em execução com uma cabimentação orçamental acima de 21 mil milhões de kwanzas, sendo os sectores da saúde, educação e obras públicas os que mais acções têm inscritas e aprovadas.

Além dos projectos mencionados, estão previstas 69 acções no sector da educação, com realce para construção de escolas, nos 11 municípios da província.

Das escolas em perspectiva, 35 terão sete salas de aula, 11 de 12 salas e uma de 15, que vão se juntar às mil e 228 já existentes naquele território do Planalto Central.

Quanto ao sector da saúde, Bernardo Domingos Elavoco adianta que está prevista a construção de várias infra-estruturas, com destaque para centros médicos (4), postos de saúde (16), a requalificação de seis unidades sanitárias.

Também está projectado a construção de uma repartição de saúde e acções de apetrechamento, num total de 33 acções.

No segmento da energia eléctrica, avançou que o PIIM tem inscrito oito acções de requalificação da rede de electricidade, a aquisição de vários grupos de geradores, a construção de sete captações de água e 32 manivelas.

Já no domínio das infra-estruturas do ordenamento do território, o responsável referiu que o programa contempla a asfaltagem de 12 quilómetros de estradas, a reciclagem de outros 15 e a terraplanagem de 182 quilómetros, bem como a construção de seis pontes.

A população da Caála testemunhou, recentemente, a inauguração de dois quilómetros de estradas asfaltadas e sinalizadas, num investimento avaliado em Kz 197 milhões, numa altura em que decorrem outras obras de reabilitação e colocação, pela primeira vez, de tapete asfáltico nas comunas da Calenga, Catata e Cuima, município da Caála.

Das empreitadas adjudicadas à empresa Elevo Engenharia estão previstas a asfaltagem, ainda este ano, de três quilómetros de estradas no interior da comuna da Calenga, dois na do Cuima e um na da Catata.

Bernardo Domingos Elavoco adiantou que, recentemente, foi feito um remanejamento no PIIM junto do Ministério das Finanças, numa acção que permitiu o enquadramento de 43 projectos, antes paralisados, por falta de financiamento.

Entre os projectos constam a asfaltagem de dez quilómetros de estradas para a cidade do Huambo, a construção da pontes sobre os rios Cutato e Cunene, localizados nos municípios do Mungo e Chicala-Cholohanga, respectivamente.

A construção de empreendimentos está a substituir os escombros ainda visíveis no interior da província e colmatar o défice de infra-estruturas nos municípios.

 

Mais centralidades, água e luz

A entrada em funcionamento das centralidades do Lossambo (Huambo) e Fernando Faustino Muteka (Caála), com duas mil e nove moradias e 4001, respectivamente, representam um dos maiores investimentos do Governo, nos últimos cinco anos.

Os beneficiários são, maioritariamente, jovens que encontram nessa iniciativa a possibilidade da realização do sonho da casa própria.

Entretanto, no domínio habitacional, estão a ser construídas 200 residências por cada município, no âmbito do programa de fomento habitacional do Executivo, além de outras infra-estruturas sociais projectadas, como lojas, escolas primárias, secundárias, institutos profissionais, centro de saúde, centros infantis e jardins-de-infância.

A par destas, está em fase de acabamento a centralidade do Bailundo, com três mil moradias da mesma tipologia T3 e diversos equipamentos sociais.

De igual modo, estão a ser erguidas três subestações eléctricas,  localizadas no perímetro florestal do Sacaála, no bairro Cambiote, e na zona industrial da Chiva, arredores da cidade do Huambo, entraram em funcionamento nos últimos anos.

Essas subestações têm capacidade para transformar e distribuir, cada uma delas, 50 megawatts, 40 dos quais já disponíveis. Os resultados destes investimentos já se fazem sentir na melhoria da rede domiciliar de iluminação pública.

A construção das mesmas permitiu a concretização de 48 mil ligações (16 mil para cada uma), no quadro da execução do projecto de electrificação e ligações domiciliares da cidade do Huambo e arredores.

Os contratos relativos à efectivação das subestações foram assinados em 2016, pelo Ministério de Energia e Águas.

No total, foram empregues na construção das três (subestações) 180 milhões de dólares norte-americanos, correspondendo a USD 60 milhões por cada uma, sendo que  recebem energia eléctrica a partir das centrais térmicas do Belém e Benfica.

Com estas três subestações, a província passa a contar com quatro, que recebem energia de alta tensão e a transformam em média, para posterior distribuição aos postos de transformação, onde a energia é convertida em baixa tensão.

Quanto às fontes de produção eléctrica, estão disponíveis o aproveitamento hidroeléctrico do Ngove, com 20 megawatts, as centrais térmicas do Benfica, com 30 megawatts, e a do Belém, com 50 megawatts.

Desde Abril deste ano, a província do Huambo passou a receber 70 megawatts de energia produzida na barragem hidroeléctrica do Laúca, na província de Malanje.

No capítulo da distribuição de água potável, foi concluindo, em 2020, o projecto de reforço do sistema de abastecimento de água potável a partir do rio Kunhongamua, que permitiu efectuar 90 mil ligações domiciliares, com capacidade para bombear 46 mil metros cúbicos por dia.

O empreendimento, cuja construção teve início em 2016, integra também os centros de distribuição de água nas zonas do Quartel-General da Região Militar Centro, escola Deolinda Rodrigues, assim como nos bairros Belém e São João.

Combate à pobreza

Apesar da estiagem verificada, este ano os campos voltaram a florir, assistindo-se a uma progressiva retoma da produção em grande escala. Os cereais destacam-se nos campos desta província do Planalto Central depois de muitos anos “agarrada” a uma agricultura familiar.

O relançamento da agricultura industrial é agora o principal objectivo, processo que começou no município da Caála, com a identificação de reservas agrícolas nas comunas da Catata, Cuima, Calenga e comuna sede, onde foram preparados aproximadamente 50 mil hectares de terras aráveis.

A agricultura está a ser ainda potenciada por um interposto de conservação de produtos agrícolas da comuna da Calenga, em fase de ampliação, onde, actualmente, funciona o Programa de Aquisição de Produtos Agro-pecuários (Papagro), mediante o qual são vendidos, semanalmente, em média, 700 toneladas de produtos diversos.

A província do Huambo, com 11 municípios, apresenta fortes potencialidades agrícolas, com o registo, até 2017, de 398 fazendas, das quais 222 em actividade.

Isso corresponde a uma área de 239 mil e 743 hectares, produzidas por 270 empresários associados em cooperativas e associações de camponeses.

Na época agrícola 2020/21, por exemplo, a província do Huambo cultivou mais de 700 mil hectares de terras aráveis, com o envolvimento de 256 mil famílias camponesas, que beneficiaram de 31 toneladas de adubo, outras 12 de ureia e 15 toneladas de amónio.

A circulação do comboio do Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) está a proporcionar, entre outros ganhos, a revitalização do parque industrial, assim como o escoamento dos produtos hortícolas desta província para Benguela, Bié e Moxico.

O Huambo, com pólos de atracção turística inexplorados, tem mil e 444 produtores agro-pecuários e industriais, além de dois potenciais exploradores de minérios.

Por sua vez, o sector da indústria, que foi no passado um dos maiores do país, também tende a recuperar-se. O investimento público e privado, nesse domínio, já deu lugar a 272 unidades industriais, que se encontram em funcionamento.

Isso representa a vontade do empresariado em apostar nesta região e aproveitar as condições naturais postas à disposição.

O maior número de indústrias é do ramo de transformação (264), ao passo que oito se dedicam à actividade extractiva, além de existirem outras em funcionamento mas não cadastradas, aquando da realização do Censo, em 2014.

Na altura, o Instituto Nacional de Estatística tinha cadastrado 564 unidades industriais.

A província tem também o Pólo de Desenvolvimento Industrial da Caála, no município com o mesmo nome, numa área adjacente aos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB).

No pólo industrial do município da Caála, com uma área de 980 mil metros quadrados, prevê-se a montagem de 40 fábricas diversas, nomeadamente de chocolates, bolachas, vidros, janelas, ferragens, arame farpado, malha sol, tintas, diluentes, betumes, lâmpadas, fios e cabos eléctricos, aglomerados de madeira e uma gráfica.

As unidades fabris de processamento e transformação de hortofrutícolas, calçados de couro, ração animal, rádio e televisão, colchões de mola e espuma, assim como de pneus para automóveis são outras que estão previstas para o Pólo Industrial da Caála.

O referido parque industrial já tem em funcionamento a fábrica de colchões, de tijolos e de confecção de mobiliário doméstico, incluindo carteiras escolares.

Além de todos esses factores positivos, a localização geográfica do Huambo também constitui mais-valia para as comunidades locais, na medida em que muitos investidores, especialmente estrangeiros, podem transportar as matérias-primas e demais bens, por via terrestre e ferroviária, em tempo útil, a partir do CFB e do Porto do Lobito, localizado na província de Benguela.

Habitada por dois milhões, 557 mil e oito pessoas, distribuídas em 11 municípios, 37 comunas e 3.387 aldeias, que perfazem uma extensão territorial de 35 mil e 771 quilómetros quadrados, a província do Huambo está localizada no Planalto Central, que lhe permite ter ligação rodoviária com maior parte das regiões do país.

Limitada a Norte pela província do Cuanza Sul, a Este pelo Bié, a Sul pela Huíla e a Oeste por Benguela. A maioria da população do Huambo é de origem Ovimbundu, sendo o mítico caçador Wambo Calunga, fundador do Reino de Wambo.

Conhecida como a terra dos soberanos Ekuikui, Katiavala e Mutu Ya Kevela, a província do Huambo foi palco de grandes lutas armadas contra a opressão colonial, que terminou com a Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.

No caso particular da cidade do Huambo, sede da província com o mesmo nome, fundada a 8 de Agosto de 1912, teve a designação de Nova Lisboa em 1928, devido ao seu clima, posição geográfica favorável para agricultura, além de boa rede hidrográfica.

Parecia reunir condições para o desenvolvimento urbano, tendo por isso sido identificada como uma potencial capital da colónia.

No entanto, foi preterida por Luanda pela sua localização litoral. Huambo é um marco da arquitectura colonial, com edifícios tradicionais e largas avenidas.

Reza a história que Huambo foi a província com maior população de Angola até antes da Guerra Colonial (na época chamava-se Nova Lisboa).