PR augura comprometimento do Príncipe Harry com a desminagem

Momento em que 
 Créditos de: Pedro Silva & Carla Per 
  • 11
Luanda - O Presidente da República, João Lourenço, expressou, esta sexta-feira, a esperança de que o Príncipe Harry tenha iniciado um renovado compromisso para a desminagem de todos os países, até 2025, dando continuidade ao trabalho idealizado pela sua mãe, Princesa Diana, em 1997.

Em mensagem, por ocasião da visita do Príncipe Harry, o Chefe de Estado angolano enfatiza que a presença de Sua Alteza Real Duque de Sussex em Angola, nesta semana, reflecte bem “o espírito de optimismo que hoje alimenta o povo angolano”.

Lembra que, anos atrás, em 1997, uma Princesa Britânica enfrentou a tirania de uma arma do mal que atrapalha a vida de milhões em todo o mundo.

Neste quadro, o Presidente angolano augura que o Príncipe Harry tenha iniciado um renovado compromisso com a desminagem, não apenas por imperativos humanitários, mas pelo bem-estar e conservação de todo o planeta.

“Angola agradece imensamente a sua mãe, Diana, a Princesa de Gales, pela sua determinação em levar o sofrimento de civis angolanos, vítimas de minas, à atenção global, em 1997”, refere a missiva Presidencial.

Para o Presidente, as imagens da Princesa Diana prestando conforto a crianças amputadas – “vítimas inocentes do efeito cruel e indiscriminado das minas terrestres antipessoais” – abalaram a consciência do mundo e galvanizaram o apoio internacional para proibir este tipo de artefactos para sempre.

“Ao seguir os seus passos no Huambo, segunda maior cidade de Angola, ontem, o Duque comunicou instantaneamente como a desminagem tem ajudado a transformar Angola”, afirma.

João Lourenço salienta que, ao contrário da sua mãe, que teve de usar um visor e um colete de protecção enquanto era escoltada pelos sinais de perigo de minas, hoje o seu filho andava à vontade, numa estrada asfaltada.

O estadista angolano regozija-se pelo facto de as crianças presentes naquela rua para cumprimentar o Duque estarem agora livres para ir à escola e brincar em segurança – “um direito humano básico que foi negado a muitos dos seus pais”.

Reconhece que instituições de caridade britânicas, tais como a HALO Trust, “generosamente” financiadas pelos contribuintes britânicos e pelo Governo dos Estados Unidos da América, ajudaram centenas de milhares de angolanos a reconstruir suas vidas após a guerra.

“A desminagem ajudou a reabrir os principais caminhos-de-ferro e estradas, ligando capitais provinciais e permitindo o acesso seguro das pessoas a escolas, hospitais e solo fértil”, reconhece.

Compromisso com o Tratado de Proibição de Minas Terrestres

Na mensagem, o Presidente garante que, como país signatário do Tratado de Proibição de Minas Terrestres, Angola está determinada a terminar os 1.220 campos de minas restantes, a fim de cumprir o prazo de 2025 acordado pela comunidade internacional.

Observa que isto não beneficiará apenas cidadãos angolanos, já que o país alberga algumas das áreas de conservação mais significativas que ainda restam no mundo, indicando o Sudeste de Angola como contendo as nascentes do “espectacular” Delta de Okavango, “lar de algumas das mais diversas espécies de mamíferos de África”.

“No entanto, 17 anos após o fim da guerra, grandes espaços dessa área ainda são intransitáveis para a população local e para a vida selvagem devido à presença de minas”, reconhece.

De acordo com o Chefe de Estado, em Junho passado, o Governo angolano anunciou um investimento de 20 milhões de dólares para a desminagem na região, a fim de garantir a conservação dessa artéria vital que alimenta a biodiversidade da África Austral.

Este valor, explica, é parte dos recursos que permitirão à HALO Trust limpar 153 campos minados, para proteger a “preciosa” flora e fauna e prover refúgio para a fauna ameaçada, que retorna em número crescente desde o final da guerra civil em 2002.

A desminagem das bacias hidrográficas do Okavango, segundo o Presidente, também abre caminho à conservação e desenvolvimento económico e proporcionará empregos e um melhor padrão de vida à população local.

PR Em alta
Cortesia de: Pedro & Carla 

Turismo

O Chefe de Estado lembra que o Fórum Económico Mundial prevê que o país possa estar entre os 10 destinos turísticos que mais crescem no mundo.

Todavia, admite que os turistas estrangeiros ainda não consideram Angola um destino turístico de safari.

João Lourenço assegura, porém, que além das centenas de quilómetros de praia virgens e da “esplêndida” arquitectura colonial, o país oferece uma verdadeira extensão paradisíaca para viajantes amantes da natureza.

“Na quinta-feira passada, o Duque de Sussex acampou próximo a um rio, no Dirico, uma pequena cidade dentro do Parque Nacional do Luengue-Luiana” (província do Cuando Cubango), regozija-se o Presidente da República.

João Lourenço diz não ser incomum que hipopótamos e flamingos se banhem perto de onde o Duque pernoitou, mas enfatiza o facto de, na manhã seguinte, sua Alteza ter detonado uma mina de um campo minado a quilómetros de distância desse “cenário idílico”.

Ressalta que a detonação dessa mina marcou o início de uma jornada que levará cinco anos de remoção desses engenhos explosivos de dois dos parques nacionais.

“Portanto, para que Angola desmine toda a região, precisará encontrar mais parceiros em todo o mundo”, salienta, frisando que a HALO Trust estima que existem outros 223 campos minados fora dos parques que também ameaçam a bacia hidrográfica do Okavango.

Consenso sobre a importância do Okavango

O Chefe de Estado angolano nota que está a emergir um consenso “claro” sobre a importância do Okavango, ressaltando que, em Dezembro de 2018, os Estados Unidos assinaram uma nova lei para proteger a bacia hidrográfica.

“A Lei de Defesa dos Meios de Vida Económicos e Animais Ameaçados (DELTA) autorizou o Governo dos EUA a trabalhar em parceria com o meu Governo e com os dos nossos vizinhos do Sul da África que compartilham a custódia do Okavango”, destaca.

Na óptica do Presidente João Lourenço, isso trará “inestimável” assistência técnica para ajudar a combater a caça furtiva, proteger as rotas de migração de elefantes e outras espécies ameaçadas e catalisar o crescimento económico.