PR pede desculpas pelas execuções do 27 de Maio

 
  
  • Presidente da República, João Lourenço
Luanda - O Presidente da República, João Lourenço, pediu, esta quarta-feira, desculpas públicas e perdão à Nação, pelos acontecimentos do 27 de Maio de 1977, que culminaram com a execução sumária de um número indeterminado de angolanos.

"(...) Viemos, junto das vítimas dos conflitos e dos angolanos no geral, pedir humildemente, em nome do Estado angolano, as nossas desculpas públicas e o perdão, pelo grande mal que foram as execuções sumárias naquela altura e naquelas circunstâncias", vincou o Presidente da República no seu discurso à Nação.

Em mensagem dirigida à Nação sobre as vítimas dos conflitos políticos, no período entre 11 de Novembro de 1975 e 04 de Abril de 2002, o Titular do Poder Executivo aclarou que este pedido público de desculpas e de perdão não se resume a simples palavras.

"Ele reflecte o nosso sincero arrependimento e vontade de pôr fim a angústia que ao longo destes anos as famílias carregam consigo, por falta de informação sobre o destino dado aos seus ente queridos", exprimiu.

O Presidente João Lourenço manifestou, por outro lado, a necessidade de se trabalhar de forma contínua para se sarar, em definitivo, as feridas ainda prevalecentes dos conflitos políticos angolanos.

Lembrou que a 04 de Abril de 2002 o país deu início a um processo de reconciliação nacional, amplamente aplaudido e encorajado, notando que o mesmo deve ser contínuo e com o compromisso de renová-lo constantemente para que se fortaleça e se consolide.

Disse ser neste quadro se criou, por Despacho Presidencial, de 16 de Maio de 2019, a Comissão para a Reconciliação às Memórias das Vítimas dos Conflitos Políticos, desde a Independência Nacional.

O Presidente da República reconheceu que a Comissão tem vindo a trabalhar num ambiente de harmonia com os representantes de partidos políticos com assento parlamentar, membros das organizações da sociedade civil e familiares das vítimas.

"Naquela altura pareceu ser mais um exercício de cosmética que não tinha objectivo claro a alcançar, mas pouco a pouco o cepticismo de muitos foi dando lugar a esperança de que o processo parecia ser sério", sublinhou.

Completam-se nesta quinta-feira 44 anos desde os trágicos acontecimentos que enlutaram o país aos 27 de Maio de 1977, num momento em que se passavam apenas dois anos da proclamação da Independência Nacional pela qual tanto lutamos.

Segundo o Presidente João Lourenço,  nessa altura ninguém imaginava que as divisões internas dos movimentos de libertação seriam transportadas para o interior do país no período pós independência e com consequências tão trágicas que deixaram feridas profundas nos corações dos angolanos.

A propósito, lembrou que um grupo de cidadãos angolanos levou a cabo uma tentativa frustrada de golpe de Estado, matando altas figuras do poder instituído, com destaque para o ministro Saidy Vieira Dias Mingas, os comandantes Paulo Silva Mungongo "Dangereux", José Gabriel Paiva "Bula", Eugénio Veríssimo da Costa "Nzaji", entre outros.

Reconheceu que, com o intuito da reposição da ordem constitucional, a reacção das autoridades de então foi desproporcional e levada ao extremo, tendo sido realizadas execuções sumárias de um número indeterminado de cidadãos angolanos muitos deles inocentes.

Para si, a postura de um Estado perante situações adversas e de extrema tensão deve ser sempre que possível ponderada e comedida pelas responsabilidades que o Estado tem na defesa da Constituição, da lei e da vida humana.

"Hoje podemos dizer que a confiança superou o cepticismo e que o sucesso dos trabalhos da Comissão encorajou o Chefe de Estado a dar o passo importante que hoje vai anunciar", expressou.

O Presidente da República entende que não é hora de apontar o dedo procurando os culpados, "importa que cada um assuma as suas responsabilidades na parte que lhe cabe".

Comunicação do PR no âmbito da reconciliação nacional - ANGOP

"(...) Viemos, junto das vítimas dos conflitos e dos angolanos no geral, pedir humildemente, em nome do Estado angolano, as nossas desculpas públicas e o perdão, pelo grande mal que foram as execuções sumárias naquela altura e naquelas circunstâncias", vincou o Presidente da República no seu discurso à Nação.

Em mensagem dirigida à Nação sobre as vítimas dos conflitos políticos, no período entre 11 de Novembro de 1975 e 04 de Abril de 2002, o Titular do Poder Executivo aclarou que este pedido público de desculpas e de perdão não se resume a simples palavras.

"Ele reflecte o nosso sincero arrependimento e vontade de pôr fim a angústia que ao longo destes anos as famílias carregam consigo, por falta de informação sobre o destino dado aos seus ente queridos", exprimiu.

O Presidente João Lourenço manifestou, por outro lado, a necessidade de se trabalhar de forma contínua para se sarar, em definitivo, as feridas ainda prevalecentes dos conflitos políticos angolanos.

Lembrou que a 04 de Abril de 2002 o país deu início a um processo de reconciliação nacional, amplamente aplaudido e encorajado, notando que o mesmo deve ser contínuo e com o compromisso de renová-lo constantemente para que se fortaleça e se consolide.

Disse ser neste quadro se criou, por Despacho Presidencial, de 16 de Maio de 2019, a Comissão para a Reconciliação às Memórias das Vítimas dos Conflitos Políticos, desde a Independência Nacional.

O Presidente da República reconheceu que a Comissão tem vindo a trabalhar num ambiente de harmonia com os representantes de partidos políticos com assento parlamentar, membros das organizações da sociedade civil e familiares das vítimas.

"Naquela altura pareceu ser mais um exercício de cosmética que não tinha objectivo claro a alcançar, mas pouco a pouco o cepticismo de muitos foi dando lugar a esperança de que o processo parecia ser sério", sublinhou.

Completam-se nesta quinta-feira 44 anos desde os trágicos acontecimentos que enlutaram o país aos 27 de Maio de 1977, num momento em que se passavam apenas dois anos da proclamação da Independência Nacional pela qual tanto lutamos.

Segundo o Presidente João Lourenço,  nessa altura ninguém imaginava que as divisões internas dos movimentos de libertação seriam transportadas para o interior do país no período pós independência e com consequências tão trágicas que deixaram feridas profundas nos corações dos angolanos.

A propósito, lembrou que um grupo de cidadãos angolanos levou a cabo uma tentativa frustrada de golpe de Estado, matando altas figuras do poder instituído, com destaque para o ministro Saidy Vieira Dias Mingas, os comandantes Paulo Silva Mungongo "Dangereux", José Gabriel Paiva "Bula", Eugénio Veríssimo da Costa "Nzaji", entre outros.

Reconheceu que, com o intuito da reposição da ordem constitucional, a reacção das autoridades de então foi desproporcional e levada ao extremo, tendo sido realizadas execuções sumárias de um número indeterminado de cidadãos angolanos muitos deles inocentes.

Para si, a postura de um Estado perante situações adversas e de extrema tensão deve ser sempre que possível ponderada e comedida pelas responsabilidades que o Estado tem na defesa da Constituição, da lei e da vida humana.

"Hoje podemos dizer que a confiança superou o cepticismo e que o sucesso dos trabalhos da Comissão encorajou o Chefe de Estado a dar o passo importante que hoje vai anunciar", expressou.

O Presidente da República entende que não é hora de apontar o dedo procurando os culpados, "importa que cada um assuma as suas responsabilidades na parte que lhe cabe".

Comunicação do PR no âmbito da reconciliação nacional - ANGOP