Presidente congolês solicita apoio de Angola

  • Felix Antoine Tshiskedi Tchilombo, Presidente da RDC
Luanda - O Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, solicitou nesta segunda-feira, em Luanda, o apoio diplomático e político de Angola para fazer face à actual situação de instabilidade reinante no seu país.

O líder congolês falava à imprensa no final do encontro privado que manteve com o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, durante o qual abordou questões ligadas à cooperação bilateral, à situação político reinante na RDC e outras de âmbito regional.

A propósito, Félix Tshisekedi informou que  apresentou ao homólogo angolano o ponto de situação existente nesse momento no seu  país, bem como o plano para a saída da crise.  

O presidente congolês solicitou, igualmente, apoio às autoridades angolanas  para o reforço das capacidades das forças de defesa e de segurança  do seu país.

Relativamente a cooperação bilateral, Félix Tshisekedi disse que as prioridades recaem para os sectores de hidrocarbonetos e infra-estruturas, estando as autoridades a trabalhar para ampliar os sectores de contactos.

Neste sentido, o Estadista congolês sublinhou que,  desde a sua chegada ao poder na RDC, se tem engajado em deixar uma “porta aberta” para consultas permanente com as autoridades angolanas, com vista a reforçar os laços de amizade e de cooperação entre os dois povos.

Crise na RDC

A RDC atravessa uma crise política profunda, causada pelo desentendimento entre a coligação governamental, que dirige o país, formada pelo CACH do Presidente Tshisekedi e a FCC dirigida por Joseph Kabila Kabange.

A divergência veio a público a 21 de Outubro, quando, ao conferir posse a três juízes do Tribunal Constitucional, Tshisekedi notou as ausências da presidente da Assembleia Nacional, Jeanine Mabunda, do presidente do Senado, Alex Tambwe Mwamba, e do Primeiro-ministro, Sylvestre Ilunga Ilunkamba, todos da plataforma política de Kabila, que mantém a maioria nas três instituições.

Na ocasião, o Chefe do Estado, num discurso de seis minutos, revelou as divergências existentes e anunciou o início de consultas políticas, visando a criação de uma "União Sagrada para a Nação", actividade que já dura há mais de 20 dias.

Desconhecem-se as consequências que podem advir das consultas em curso, mas, segundo Tshisekedi, no termo das consultas "todos os cenários que estão na mesa são possíveis".

Recorde-se que, por causa do desentendimento reinante, Joseph Kabila, endereçou mensagens musculadas a alguns Chefes de Estado e também a chefes de missões diplomáticas acreditados em Kinshasa, prevendo consequências incalculáveis para o país.

Kabila remeteu, pessoalmente, cartas aos embaixadores da África do Sul, do Quénia e do Egipto e para os seus respectivos Presidentes, apontados como o garante do acordo de coligação governamental FCC-CACH, bem como à representante da MONUSCO na RDC, que deve entregar o correio ao secretário-geral da ONU, António Guterres.

Na mesma senda, orientou o seu antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Léonard She  Okitundu, a remeter as mesmas mensagens aos embaixadores de alguns países membros da SADC, tais como Angola, Zimbabwe, Zâmbia, Namíbia e Tanzânia e ao núncio apostólico, em Kinshasa.

Devido à tensão, a quinta-feira (12) o porta-voz das Forças Armadas Congolesas (FARDC) pediu aos políticos para não influenciarem os militares.

A advertência do oficial-general congolês surge depois da polémica suscitada na véspera, pelo secretário-geral da UDPS, Augustin Kabuya, partido de Tshisekedi, ao acusar o ministro das Finança e membro da plataforma político de Kabila, de não estar a pagar os salários dos militares e da Polícia, com o intuito de provocar a sua revolta contra o Presidente Tshisekedi.

Relações Bilaterais

Entretanto, Angola e a RDC mantêm relações políticas e bilaterais de longa data, apesar de um período de distanciamento na era da Guerra Fria.

Até há 23 anos, estas relações eram o protótipo do relacionamento característico dos países africanos durante a guerra fria que vigorou no Mundo, entre 1948 e Novembro de 1989, ano da queda do muro de Berlim.

No contexto da guerra fria, ambos os países, em nome do socialismo científico ou do liberalismo, opuseram-se um ao outro.

Naquela época, a África negra, com destaque para Angola e Zaíre, tornou-se no prolongamento de Moscovo e de Washington, divididos em dois campos, de acordo com as fontes da ajuda militar e económica que um deles recebia.

Foi neste quadro que se deu a visita do primeiro Presidente angolano, António Agostinho Neto, ao ex-Zaíre, em 1978, que resultou no acordo que estabeleceu as relações diplomáticas bilaterais.

Apesar dos altos e baixos, as relações entre Angola e a RDC foram-se mantendo boas nos últimos 23 anos.

Com a chegada de Laurent Désiré Kabila ao poder, em 1977, as relações melhoraram significativamente, com Angola a ajudar militarmente o país, para preservar os regimes de Kabila, pai e filho, contra as propensões hegemónicas de alguns países vizinhos.

A eleição de Félix Antoine Tshisekedi veio melhorá-las quando o mesmo, depois da sua eleição, escolheu Angola como o primeiro país a visitar, como Chefe de Estado.

Depois da criação da Comissão mista bilateral, acordos de cooperação foram assinados nos diversos domínios.

Em Setembro último, os dois países, que partilham uma fronteira de 2.500 quilómetros, assinaram um acordo de cooperação no domínio da Defesa.

Acredita-se que esta nova visita de Tshisekedi reforce a aproximação dos dois países que, além de vizinhos, têm relações de consanguinidade.

Felix Tshisekedi regressa ainda hoje à RDCongo.

O líder congolês falava à imprensa no final do encontro privado que manteve com o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, durante o qual abordou questões ligadas à cooperação bilateral, à situação político reinante na RDC e outras de âmbito regional.

A propósito, Félix Tshisekedi informou que  apresentou ao homólogo angolano o ponto de situação existente nesse momento no seu  país, bem como o plano para a saída da crise.  

O presidente congolês solicitou, igualmente, apoio às autoridades angolanas  para o reforço das capacidades das forças de defesa e de segurança  do seu país.

Relativamente a cooperação bilateral, Félix Tshisekedi disse que as prioridades recaem para os sectores de hidrocarbonetos e infra-estruturas, estando as autoridades a trabalhar para ampliar os sectores de contactos.

Neste sentido, o Estadista congolês sublinhou que,  desde a sua chegada ao poder na RDC, se tem engajado em deixar uma “porta aberta” para consultas permanente com as autoridades angolanas, com vista a reforçar os laços de amizade e de cooperação entre os dois povos.

Crise na RDC

A RDC atravessa uma crise política profunda, causada pelo desentendimento entre a coligação governamental, que dirige o país, formada pelo CACH do Presidente Tshisekedi e a FCC dirigida por Joseph Kabila Kabange.

A divergência veio a público a 21 de Outubro, quando, ao conferir posse a três juízes do Tribunal Constitucional, Tshisekedi notou as ausências da presidente da Assembleia Nacional, Jeanine Mabunda, do presidente do Senado, Alex Tambwe Mwamba, e do Primeiro-ministro, Sylvestre Ilunga Ilunkamba, todos da plataforma política de Kabila, que mantém a maioria nas três instituições.

Na ocasião, o Chefe do Estado, num discurso de seis minutos, revelou as divergências existentes e anunciou o início de consultas políticas, visando a criação de uma "União Sagrada para a Nação", actividade que já dura há mais de 20 dias.

Desconhecem-se as consequências que podem advir das consultas em curso, mas, segundo Tshisekedi, no termo das consultas "todos os cenários que estão na mesa são possíveis".

Recorde-se que, por causa do desentendimento reinante, Joseph Kabila, endereçou mensagens musculadas a alguns Chefes de Estado e também a chefes de missões diplomáticas acreditados em Kinshasa, prevendo consequências incalculáveis para o país.

Kabila remeteu, pessoalmente, cartas aos embaixadores da África do Sul, do Quénia e do Egipto e para os seus respectivos Presidentes, apontados como o garante do acordo de coligação governamental FCC-CACH, bem como à representante da MONUSCO na RDC, que deve entregar o correio ao secretário-geral da ONU, António Guterres.

Na mesma senda, orientou o seu antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Léonard She  Okitundu, a remeter as mesmas mensagens aos embaixadores de alguns países membros da SADC, tais como Angola, Zimbabwe, Zâmbia, Namíbia e Tanzânia e ao núncio apostólico, em Kinshasa.

Devido à tensão, a quinta-feira (12) o porta-voz das Forças Armadas Congolesas (FARDC) pediu aos políticos para não influenciarem os militares.

A advertência do oficial-general congolês surge depois da polémica suscitada na véspera, pelo secretário-geral da UDPS, Augustin Kabuya, partido de Tshisekedi, ao acusar o ministro das Finança e membro da plataforma político de Kabila, de não estar a pagar os salários dos militares e da Polícia, com o intuito de provocar a sua revolta contra o Presidente Tshisekedi.

Relações Bilaterais

Entretanto, Angola e a RDC mantêm relações políticas e bilaterais de longa data, apesar de um período de distanciamento na era da Guerra Fria.

Até há 23 anos, estas relações eram o protótipo do relacionamento característico dos países africanos durante a guerra fria que vigorou no Mundo, entre 1948 e Novembro de 1989, ano da queda do muro de Berlim.

No contexto da guerra fria, ambos os países, em nome do socialismo científico ou do liberalismo, opuseram-se um ao outro.

Naquela época, a África negra, com destaque para Angola e Zaíre, tornou-se no prolongamento de Moscovo e de Washington, divididos em dois campos, de acordo com as fontes da ajuda militar e económica que um deles recebia.

Foi neste quadro que se deu a visita do primeiro Presidente angolano, António Agostinho Neto, ao ex-Zaíre, em 1978, que resultou no acordo que estabeleceu as relações diplomáticas bilaterais.

Apesar dos altos e baixos, as relações entre Angola e a RDC foram-se mantendo boas nos últimos 23 anos.

Com a chegada de Laurent Désiré Kabila ao poder, em 1977, as relações melhoraram significativamente, com Angola a ajudar militarmente o país, para preservar os regimes de Kabila, pai e filho, contra as propensões hegemónicas de alguns países vizinhos.

A eleição de Félix Antoine Tshisekedi veio melhorá-las quando o mesmo, depois da sua eleição, escolheu Angola como o primeiro país a visitar, como Chefe de Estado.

Depois da criação da Comissão mista bilateral, acordos de cooperação foram assinados nos diversos domínios.

Em Setembro último, os dois países, que partilham uma fronteira de 2.500 quilómetros, assinaram um acordo de cooperação no domínio da Defesa.

Acredita-se que esta nova visita de Tshisekedi reforce a aproximação dos dois países que, além de vizinhos, têm relações de consanguinidade.

Felix Tshisekedi regressa ainda hoje à RDCongo.