Angola: Tratamento da infertilidade é muito caro – diz especialista

  • Pedro de Almeida, prelector da conferência sobre "Reprodução Humana"
Luanda - O tratamento da infertilidade em Angola custa cerca de seis mil dólares, informou, esta quinta-feira, o especialista em medicina reprodutiva, Pedro de Almeida.

Segundo o médico, se o país tratasse todas as pessoas com infertilidade, gastaria mais de 200 milhões de dólares.

Pedro de Almeida, que foi um dos prelectores da conferência sobre "Reprodução Humana Assistida", organizada pela 6ª Comissão da Assembleia Nacional, disse que cada casal angolano com problemas de infertilidade gasta, em média, entre dois milhões e meio a três milhões de kwanzas.

Fez saber que, o que torna o tratamento oneroso são as ampolas para a produção de óvulos, revelando que, às vezes, a mulher precisa de receber 10 unidades e cada uma custa entre 300 e 400 dólares.

O especialista em medicina reprodutiva lembrou que as referidas ampolas são produzidas por multinacionais alemãs que, praticamente, detêm a exclusividade da reprodução de hormonas.

O que encarece os preços não é a prestação do serviço, mas os medicamentos hormonais, que chegam a custar quase metade do valor do tratamento, esclareceu.

Em consequência dessa realidade, entende que os governos africanos têm de repensar no investimento para esse tipo de ajuda aos casais com problemas de infertilidade.

Informou que muitos países, sobretudo europeus, adoptaram a estratégia de que os casais que optarem pela procriação medicamente assistida, devem fazê-lo em clínicas privadas.

Espera que, com a aprovação da lei, a sua regulamentação seja efectiva, augurando a implantação, no país, de centros de reprodução humana, de forma faseada.

Na óptica do médico, pelo menos a aplicação "in vitro" (fecundação laboratorial) ficaria restrita às instituições com mais recursos, devendo os pequenos centros ocuparem-se da inseminação artificial, assim “o país pouparia muito dinheiro com as evacuações para o estrangeiro”.

Primeiros ensaios em Angola

Duas clínicas renomadas do país deram início à reprodução humana assistida com sucesso, com médicos e equipa técnica proveniente do Brasil, mas tiveram de suspender a actividade por falta de autorização do Ministério da Saúde.

Causas da infertilidade 

Segundo o médico Pedro de Almeida, as causas da infertilidade na mulher têm a ver, fundamentalmente, com as doenças inflamatórias pélvicas que provocam lesão nas trompas (onde ocorre a gravidez).

"Com as trompas inflamadas ou fechadas, a mulher não consegue engravidar (...)", aclarou.

Outra causa, segundo o médico, está associada aos miomas no útero, notando que a mulher africana, contrariamente à europeia, do ponto de vista genético, desenvolve mais miomas no útero.

Já nos homens, o problema da infertilidade tem muito a ver com a pouca quantidade de esperma "e, em outros casos, o esperma está disponível mas não tem capacidade de movimento".

Considera que, às pessoas com este problema só lhes resta como alternativa a reprodução humana assistida de alta complexidade, a chamada fertilização in vitro, ou seja, fecundação fora do corpo.

"É a única forma de poderem procriar", observou o médico.

Segundo o médico, se o país tratasse todas as pessoas com infertilidade, gastaria mais de 200 milhões de dólares.

Pedro de Almeida, que foi um dos prelectores da conferência sobre "Reprodução Humana Assistida", organizada pela 6ª Comissão da Assembleia Nacional, disse que cada casal angolano com problemas de infertilidade gasta, em média, entre dois milhões e meio a três milhões de kwanzas.

Fez saber que, o que torna o tratamento oneroso são as ampolas para a produção de óvulos, revelando que, às vezes, a mulher precisa de receber 10 unidades e cada uma custa entre 300 e 400 dólares.

O especialista em medicina reprodutiva lembrou que as referidas ampolas são produzidas por multinacionais alemãs que, praticamente, detêm a exclusividade da reprodução de hormonas.

O que encarece os preços não é a prestação do serviço, mas os medicamentos hormonais, que chegam a custar quase metade do valor do tratamento, esclareceu.

Em consequência dessa realidade, entende que os governos africanos têm de repensar no investimento para esse tipo de ajuda aos casais com problemas de infertilidade.

Informou que muitos países, sobretudo europeus, adoptaram a estratégia de que os casais que optarem pela procriação medicamente assistida, devem fazê-lo em clínicas privadas.

Espera que, com a aprovação da lei, a sua regulamentação seja efectiva, augurando a implantação, no país, de centros de reprodução humana, de forma faseada.

Na óptica do médico, pelo menos a aplicação "in vitro" (fecundação laboratorial) ficaria restrita às instituições com mais recursos, devendo os pequenos centros ocuparem-se da inseminação artificial, assim “o país pouparia muito dinheiro com as evacuações para o estrangeiro”.

Primeiros ensaios em Angola

Duas clínicas renomadas do país deram início à reprodução humana assistida com sucesso, com médicos e equipa técnica proveniente do Brasil, mas tiveram de suspender a actividade por falta de autorização do Ministério da Saúde.

Causas da infertilidade 

Segundo o médico Pedro de Almeida, as causas da infertilidade na mulher têm a ver, fundamentalmente, com as doenças inflamatórias pélvicas que provocam lesão nas trompas (onde ocorre a gravidez).

"Com as trompas inflamadas ou fechadas, a mulher não consegue engravidar (...)", aclarou.

Outra causa, segundo o médico, está associada aos miomas no útero, notando que a mulher africana, contrariamente à europeia, do ponto de vista genético, desenvolve mais miomas no útero.

Já nos homens, o problema da infertilidade tem muito a ver com a pouca quantidade de esperma "e, em outros casos, o esperma está disponível mas não tem capacidade de movimento".

Considera que, às pessoas com este problema só lhes resta como alternativa a reprodução humana assistida de alta complexidade, a chamada fertilização in vitro, ou seja, fecundação fora do corpo.

"É a única forma de poderem procriar", observou o médico.