Criada rede lusófona de luta contra a tuberculose

  • Hospital Geral de Luanda
Luanda – Parlamentares dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) criaram, nesta quinta-feira, a rede de luta contra a tuberculose, durante uma reunião com membros e parceiros internacionais, através de videoconferência.

A actividade foi testemunhada pela ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, e deputados da sexta comissão da Assembleia Nacional.

A rede tem como objectivo unir esforços para enfrentar esta doença infecciosa fatal na comunidade, através da troca de experiencia das diferentes políticas de combate em curso em vários países.

Segundo a coordenadora da organização, Eleonor Silva, dentro da comunidade, os países são afectados pela tuberculose de “maneira desigual”, sublinhando que alguns estão no caminho de eliminar a doença, como Portugal e Cabo Verde, e outros, como a Guiné Equatorial, vêm um “aumento alarmante” de casos todos os anos.

Com este foco, mais de 40 autoridades ministeriais e parlamentares da comunidade, directores de programas nacionais de tuberculose, representantes da sociedade civil, e organizações internacionais reuniram-se para discutir a situação actual da epidemia nos respectivos países e adoptar um plano de trabalho regional para lançar a Rede Parlamentar Lusófona de Tuberculose.

De acordo com a coordenadora, entre os nove Estados da comunidade, 336.300 pessoas contraíram tuberculose e 42.648 morreram da doença somente em 2019, destacando que na CPLP, Timor Leste regista a maior incidência da doença, entretanto, a maior taxa de mortes encontra-se em Guiné Bissau.

Já Angola, Moçambique, Brasil e Guiné Bissau integram a lista de 30 países de “alta carga” de tuberculose da Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe registaram “apenas” 250 casos em 2019.

Caso de Angola

Na ocasião, o deputado angolano Gomes Sambo, que falou da situação em Angola, informou que o Plano Estratégico de Luta Contra Tuberculose 2018/2022 vai consumir 91 milhões de dólares, visando reduzir o número de contágios e mortes em 35 por cento.

Deste valor, 14 milhões foram suportados pelo Orçamento Geral do Estado nos últimos dois anos, nove milhões pelo Fundo Global, sendo que 69 milhões estão ainda por mobilizar.

Em Angola, foram registados, em 2019, 78 mil casos, graças a melhoria do sistema de notificação e identificação da patologia.

 Detalhou que taxa de incidência é de cerca de 244 por cem mil habitantes, ao passo que 12 porcento das crianças estão infectadas.

A taxa de co-infeccção da tuberculose com o VIH é de oito por cento e a de cumprimento do tratamento é de 86 por cento, com 69 por cento de sucesso, registando-se melhorias.

Segundo o deputado, 104 hospitais estão envolvidos na luta contra a doença,  350 unidades de saúde periféricas e 160 laboratórios.