Habitantes do Zaire pedem retoma das obras do novo hospital

  • Zaire: Obras inacabadas do futuro hospital regional do Zaire em Mbanza Kongo
Mbanza Kongo - As obras do Hospital Regional do Zaire, iniciadas há quatro anos, na cidade de Mbanza Kongo, continuam paralisadas, por alegadas dificuldades financeiras.

(Por Pedro Moniz Vidal e João Lundoloka)

De responsabilidade das estruturas centrais do Estado, a empreitada estava inicialmente orçada em 42 milhões de dólares norte-americanos, mas passou para USD 94 milhões, em 2016, devido à flutuação do câmbio e a factores inerentes à construção civil.

O Executivo, através do Ministério da Saúde, anunciou, em Julho de 2019, que estava a procura de fontes de financiamento para a conclusão deste projecto, inicialmente suportado pela linha de crédito do Exximbank da China.

Nesta altura, a infra-estrutura de três pisos, concebida para 400 camas, apresenta já sinais de degradação em algumas paredes do seu interior, por força das intempéries.

A cargo da empresa chinesa CRBC, o projecto foi lançado em 2014 e previa-se a sua conclusão em 18 meses, sendo que os trabalhos atingiram uma execução física na ordem dos 80 por cento, com a conclusão da estrutura do edifício principal.

Foram, igualmente, montados os respectivos elevadores, sistemas de climatização e contra incêndios, eléctrico e de canalização, faltando, para a conclusão da obra, a componente de ladrilho e outros acabamentos internos.

Dado o prolongado período de paralisação das obras, alguns compartimentos internos e do sótão começam a apresentar algumas fissuras, fruto da acção da humidade provocada pela infiltração das águas das chuvas.

Na zona exterior, o capim  invadiu parte dos 618 mil metros quadrados da área total onde está implantado o hospital, que está a ser erguido na localidade de Nkunga a Paza, periferia da cidade de Mbanza Kongo.

No estaleiro desta obra ainda restam dois chineses, do conjunto de técnicos deste país asiático que asseguravam os trabalhos do projecto.

O director do Gabinete Provincial de Infra-estruturas e Serviços Técnicos, André Malufuene, disse que a paralisação prolongada das obras está a provocar manchas de humidade radiais e fundos de dimensões variáveis nos parâmetros interiores do edifício.

O também engenheiro de construção civil acredita que esta situação pode culminar com a contínua degradação do imóvel e consequente desvalorização ou descaracterização, caso haja mais demora na conclusão da empreitada.

Esperança na conclusão

Num recente pronunciamento público, o governador do Zaire, Pedro Makita Armando Júlia, manifestou esperança de que o hospital venha a ser concluído a médio prazo.

Afirmou que o Executivo, através do Ministério da Saúde, tudo faz para encontrar o financiamento necessário para terminar a obra e colocá-la ao serviço das populações.

Pedro Makita Armando Júlia anteviu que, dada a sua dimensão e valências previstas, a infra-estrutura servirá de alternativa aos cidadãos que procuram serviços especializados em unidades de referência da capital do país e da República Democrática do Congo. 

O futuro Hospital Regional do Zaire está projectado para 18 laboratórios de especialidade e nove blocos operatórios nas áreas de pediatria, laboratórios, diálise, biomédica, farmácia, radiologia, cardiologia, traumatologia, infusão, optometria, ginecologia, clínica geral, endocrinologia, respiração analógica, estomatologia e outras.

A infra-estrutura contempla 11 blocos de atendimento, com realce para os de consulta, internamento e administração, apoio hospitalar e outros serviços, onde se destaca ainda a área para o tratamento do lixo hospitalar.

Hospital provincial sem capacidade

Enquanto isso, os cerca de 594 mil habitantes da província continuam a congestionar o actual Hospital Provincial em Mbanza Kongo, construído de material pré-fabricado, no ano de 2000, cujas estruturas se encontram já desgastadas.

De acordo com o seu director-geral, Domingos da Silva, aumentou a demanda nesta unidade com 149 camas, que atende, para além da população do Zaire, cidadãos oriundos das vizinhas províncias do Uíge e Bengo.

Segundo o responsável, o futuro hospital regional será mais-valia, na medida em que  proporcionará mais especialidades médicas, recursos humanos e reunirá melhores condições de trabalho para os profissionais e atendimento condigno aos pacientes.

Conforme os munícipes de Mbanza Kongo, a paralisação das obras desta que viria a ser a maior unidade sanitária do Zaire adia o sonho de muitos habitantes desta parcela do território nacional, no que a assistência médica e medicamentosa diz respeito.  

De acordo com cidadãos ouvidos pela ANGOP, a falta de uma unidade sanitária de referência na região, com serviços especializados, leva muitos pacientes a deslocarem-se para outros pontos do país e para a vizinha RDC, em busca de cuidados médicos.

No entender de Morena José, o Executivo angolano deve trabalhar para conseguir angariar e disponibilizar verbas para a conclusão deste hospital, que “muito contribuirá para a saúde da população da província do Zaire”.

“Quando começou a ser construído, em 2014, alimentamos muita expectativa. Só sabíamos que daqui a pouco tempo a assistência médica e medicamentosa devia melhorar substancialmente”, afirma a cidadã.

Por sua vez, Agostinho Pedro diz acreditar que, apesar do actual contexto económico, financeiro e pandémico, o Executivo encontrará formas para a conclusão desta infra-estrutura hospitalar, tal como acontece em outras regiões de Angola.

“A nossa província não dispõe de um hospital geral que dignifique os seus habitantes. Esperamos que as autoridades centrais olhem com preocupação essa questão”, remata.

Localizada no extremo noroeste de Angola, o Zaire subdivide-se em seis municípios (Mbanza Kongo, Soyo, Cuimba, Tomboco, Nzeto e Nóqui), 25 comunas e 711 aldeias.

(Por Pedro Moniz Vidal e João Lundoloka)

De responsabilidade das estruturas centrais do Estado, a empreitada estava inicialmente orçada em 42 milhões de dólares norte-americanos, mas passou para USD 94 milhões, em 2016, devido à flutuação do câmbio e a factores inerentes à construção civil.

O Executivo, através do Ministério da Saúde, anunciou, em Julho de 2019, que estava a procura de fontes de financiamento para a conclusão deste projecto, inicialmente suportado pela linha de crédito do Exximbank da China.

Nesta altura, a infra-estrutura de três pisos, concebida para 400 camas, apresenta já sinais de degradação em algumas paredes do seu interior, por força das intempéries.

A cargo da empresa chinesa CRBC, o projecto foi lançado em 2014 e previa-se a sua conclusão em 18 meses, sendo que os trabalhos atingiram uma execução física na ordem dos 80 por cento, com a conclusão da estrutura do edifício principal.

Foram, igualmente, montados os respectivos elevadores, sistemas de climatização e contra incêndios, eléctrico e de canalização, faltando, para a conclusão da obra, a componente de ladrilho e outros acabamentos internos.

Dado o prolongado período de paralisação das obras, alguns compartimentos internos e do sótão começam a apresentar algumas fissuras, fruto da acção da humidade provocada pela infiltração das águas das chuvas.

Na zona exterior, o capim  invadiu parte dos 618 mil metros quadrados da área total onde está implantado o hospital, que está a ser erguido na localidade de Nkunga a Paza, periferia da cidade de Mbanza Kongo.

No estaleiro desta obra ainda restam dois chineses, do conjunto de técnicos deste país asiático que asseguravam os trabalhos do projecto.

O director do Gabinete Provincial de Infra-estruturas e Serviços Técnicos, André Malufuene, disse que a paralisação prolongada das obras está a provocar manchas de humidade radiais e fundos de dimensões variáveis nos parâmetros interiores do edifício.

O também engenheiro de construção civil acredita que esta situação pode culminar com a contínua degradação do imóvel e consequente desvalorização ou descaracterização, caso haja mais demora na conclusão da empreitada.

Esperança na conclusão

Num recente pronunciamento público, o governador do Zaire, Pedro Makita Armando Júlia, manifestou esperança de que o hospital venha a ser concluído a médio prazo.

Afirmou que o Executivo, através do Ministério da Saúde, tudo faz para encontrar o financiamento necessário para terminar a obra e colocá-la ao serviço das populações.

Pedro Makita Armando Júlia anteviu que, dada a sua dimensão e valências previstas, a infra-estrutura servirá de alternativa aos cidadãos que procuram serviços especializados em unidades de referência da capital do país e da República Democrática do Congo. 

O futuro Hospital Regional do Zaire está projectado para 18 laboratórios de especialidade e nove blocos operatórios nas áreas de pediatria, laboratórios, diálise, biomédica, farmácia, radiologia, cardiologia, traumatologia, infusão, optometria, ginecologia, clínica geral, endocrinologia, respiração analógica, estomatologia e outras.

A infra-estrutura contempla 11 blocos de atendimento, com realce para os de consulta, internamento e administração, apoio hospitalar e outros serviços, onde se destaca ainda a área para o tratamento do lixo hospitalar.

Hospital provincial sem capacidade

Enquanto isso, os cerca de 594 mil habitantes da província continuam a congestionar o actual Hospital Provincial em Mbanza Kongo, construído de material pré-fabricado, no ano de 2000, cujas estruturas se encontram já desgastadas.

De acordo com o seu director-geral, Domingos da Silva, aumentou a demanda nesta unidade com 149 camas, que atende, para além da população do Zaire, cidadãos oriundos das vizinhas províncias do Uíge e Bengo.

Segundo o responsável, o futuro hospital regional será mais-valia, na medida em que  proporcionará mais especialidades médicas, recursos humanos e reunirá melhores condições de trabalho para os profissionais e atendimento condigno aos pacientes.

Conforme os munícipes de Mbanza Kongo, a paralisação das obras desta que viria a ser a maior unidade sanitária do Zaire adia o sonho de muitos habitantes desta parcela do território nacional, no que a assistência médica e medicamentosa diz respeito.  

De acordo com cidadãos ouvidos pela ANGOP, a falta de uma unidade sanitária de referência na região, com serviços especializados, leva muitos pacientes a deslocarem-se para outros pontos do país e para a vizinha RDC, em busca de cuidados médicos.

No entender de Morena José, o Executivo angolano deve trabalhar para conseguir angariar e disponibilizar verbas para a conclusão deste hospital, que “muito contribuirá para a saúde da população da província do Zaire”.

“Quando começou a ser construído, em 2014, alimentamos muita expectativa. Só sabíamos que daqui a pouco tempo a assistência médica e medicamentosa devia melhorar substancialmente”, afirma a cidadã.

Por sua vez, Agostinho Pedro diz acreditar que, apesar do actual contexto económico, financeiro e pandémico, o Executivo encontrará formas para a conclusão desta infra-estrutura hospitalar, tal como acontece em outras regiões de Angola.

“A nossa província não dispõe de um hospital geral que dignifique os seus habitantes. Esperamos que as autoridades centrais olhem com preocupação essa questão”, remata.

Localizada no extremo noroeste de Angola, o Zaire subdivide-se em seis municípios (Mbanza Kongo, Soyo, Cuimba, Tomboco, Nzeto e Nóqui), 25 comunas e 711 aldeias.