Covid-19: Dias dramáticos na ZEE

  • Hospital Campanha da zona económica em Viana
Luanda – Versátil e sempre focado na recolha de imagens, para a ilustração de textos jornalísticos, André Mwenha (nome fictício) é um profissional habituado a enfrentar desafios, com as suas quase inseparáveis lentes fotográficas.

Há mais de 10 anos, vive experiências marcantes na qualidade de fotojornalista, colhendo, pelas ruas do país e do Mundo, os melhores planos, nalguns casos, até, em situações de alto risco. 

O repórter já experimentou quase tudo, em termos de retrato: desde os eventos políticos e económicas, até aos desportivos e culturais.

André Mwenha já captou imagens insólitas a partir de zonas de difícil acesso, factos que fazem de si um homem de desafios que quase nunca teme quando chamado para uma missão. 

Na sua trajectória já passou por situações complexas, mas, ao que tudo indica, nunca alguma foi tão dura como ficar "preso" numa cama de hospital, acometido pela Covid-19.

O profissional fez parte dos mais de 17 mil cidadãos que contraíram a doença no país, e viveu na pele a angústia do isolamento forçado. 

O mesmo, que cumpriu quarentena institucional no Hospital de Campanha de Viana, depois de diagnosticado com o vírus Sars Cov-2, contou à ANGOP a experiência de conviver com a doença e a vida no interior da unidade hospitalar.

Na conversa, explica que a doença foi detectada num exame de despiste, quando tentava, como já é habitual, reportar um evento mediático num órgão representativo do Estado angolano. 

Num primeiro momento, deu reactivo (IGG) no teste rápido, e só depois de alguns dias veio a confirmação: a Covid-19 era um facto. 

"Primeiro acusei reactivo ao teste serológico, o que levou a equipa médica a isolar-me. Duas horas mais tarde fiz a confirmação com azaragatoa", narra o fotojornalista. 

André Mwenha ainda foi mandado para casa, mas depois de quatro dias recebeu o resultado positivo, para a sua tristeza. "Passados dois dias, fui recolhido pelo INEMA", testemunha.

Conforme o fotógrafo, que recebeu alta a 18 de Novembro, desde a altura da detecção do vírus que a Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19 não parou de o contactar, até ser transportado por uma viatura do Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola.

Apesar de toda a família testar negativo, durante os 19 dias de quarentena, na Zona Económica Especial Luanda-Bengo, rezava pela esposa e os filhos, porque "não gostaria que fossem parar no mesmo sítio, mesmo com os bons serviços".

"Os cuidados naquele hospital começam com a limpeza, alimentação, intervenção da equipa de psicólogos, de enfermagem e médicos. O pessoal médico entra sempre que tiver urgência, mas normalmente vai três a quatro vezes por dia ate à nave", descreve o antigo paciente. 

Sobre a acomodação, diz serem internados em salas e naves diferentes, havendo uma divisão de naves: Alas e UTI. Desta forma, prossegue, os pacientes são separados com base no estado clínico. No seu caso, como assintomático, foi posto na ALA de pacientes em estado moderado. 

"Quando cheguei, fui recebido pela médica, que me dirigiu até à ALA B1. De seguida, pediu-me que enviasse alguns dados, via Whats-App. Às 19h00, fui consultado por outra doutora, e no dia seguinte iniciei o tratamento", relata.

A medicação contemplava três injecções por dia. "Existe um grande elenco de profissionais de várias áreas, que aparecem frequentemente para assistir os doentes. Observei que a equipa que me recebeu já não era a mesma e pedi esclarecimentos. Foi-me dito que o regime de trabalho no centro obedece a 14 dias de labuta e outros 14 de quarentena", salienta. 

Entretanto, até agora André Mwenha não faz ideia de como contraiu o novo coronavirus, mas, depois de quase um mês internado, ficou com uma certeza: a Covid-19 é dramática. 

Hoje, está livre da pandemia, de volta à vida activa, pelo que agradece a todos quantos cuidaram de si em Calumbo e apela à sociedade para a necessidade de redobrar a vigilância. 

"No dia 18 de Novembro, recebi alta. Na minha saída do centro, passei por um local denominado túnel de desinfecção, onde fui pulverizado durante quatro minutos e, de seguida, passei para outro sítio para a desinfecção dos pertences pessoais. Depois submeteram-me a um inquérito e deram-me alta", regozija.    

Médica revela profissionalismo

Por sua vez, uma das médicas que participou da recuperação do profissional de Comunicação Social no hospital de campanha fala dos cuidados no tratamento dos pacientes. 

“Se o paciente tiver outras patologias, como a hipertensão arterial ou diabetes mellitus, é medicado e seguido, para que não venha a descompensar do seu quadro clínico. Se o doente tiver problemas renais cumpre com as suas sessões de hemodiálise nos seus respectivos dias programados”, desvenda. Segundo a profissional, saber que pode ajudar quem precisa do seu auxílio é reconfortante, porque isto representa amor ao próximo. 

Sublinha, entretanto, que o Estado está a gastar muito dinheiro para salvar os cidadãos, com a aquisição e instalação de meios à altura.

Quanto à sua preparação emocional para enfrentar diariamente os doentes de Covid-19, confidência que não é fácil, mas é possível. 

"Não é que não tenha medo, mas desde o momento que entro e saio da nave onde estão os infectados, faço sempre a minha oração e entrego tudo nas mãos de Deus. Ele é o  nosso maior protector", argumenta, sob anonimato. 

Narra que diariamente dão entrada naquela unidade hospitalar muitos pacientes, distribuídos por alas. Geralmente, o doente chega com semblante de medo e a pressão psicológica do que ouviu falar, mas internamente têm a responsabilidade de dar todo apoio e acalma-los.

“Nós apegamo-nos muito aos nossos pacientes. Eu, por exemplo, vejo-os como membros da minha família, e quando noto que terão alta vem aquela sensação de dever cumprido, com algumas lágrimas, devido a alegria deles (pulam e gritam). É, de facto, uma fase que eles venceram com o nosso auxílio", exprime. 

A médica explica que, desde que está destacada no centro, não se recorda de pacientes que já estiveram internados, receberam alta e voltaram a apanhar Covid-19 ou internado novamente.

"Acho que depois de saírem daqui, os paciente se retratam e tomam mais cuidado”, observa. 

Para evitar o contágio, diz que normalmente, quando sai da nave, vai à área de descontaminação e desinfecção com hipoclorito de sódio (lixívia), usa a máscara e mantém o distanciamento de um metro. 

Fora da instituição, não se expõe a aglomerados e só sai por extrema necessidade.

Sobre informações de maltratos e desdém de pacientes da terceira idade, afirma ser mentira e um acto totalmente desumano. "Nós, profissionais de saúde, temos o dever de cuidar daqueles que precisam de nós. Pode até perguntar para alguns pacientes de idade qual tem sido a nossa conduta", desafia. 

Por fim, a profissional da saúde avança que, no acto da alta, recomenda aos recuperados para cuidarem-se fora, conforme se cuidavam na nave, seguindo todas as regras impostas pela Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19, tal como o distanciamento social, a utilização da máscara facial e a lavagem ou desinfecção frequente das mãos. 

Como esta profissional, dezenas de técnicos trabalham diariamente, de forma árdua e determinada, para cuidar dos pacientes, naquele centro de internamento. A jornada é intensa e cheia de incertezas. Nunca se sabe quem é e quando chega um novo paciente.

Mas, entre tantos desafios e, às vezes, temor, um elemento sobressai entre os profissionais: o amor pela vida. É com esse sentimento que enfrentam de "peito aberto" o temível vírus, posicionando-se como guerreiros da linha frente.

A palavra de ordem, no centro, é salvar vidas, custe o que custar, venha o que vier, porque, afinal de conta, há que fazer valer, em qualquer circunstância, o juramento de salvar vidas.     

Há mais de 10 anos, vive experiências marcantes na qualidade de fotojornalista, colhendo, pelas ruas do país e do Mundo, os melhores planos, nalguns casos, até, em situações de alto risco. 

O repórter já experimentou quase tudo, em termos de retrato: desde os eventos políticos e económicas, até aos desportivos e culturais.

André Mwenha já captou imagens insólitas a partir de zonas de difícil acesso, factos que fazem de si um homem de desafios que quase nunca teme quando chamado para uma missão. 

Na sua trajectória já passou por situações complexas, mas, ao que tudo indica, nunca alguma foi tão dura como ficar "preso" numa cama de hospital, acometido pela Covid-19.

O profissional fez parte dos mais de 17 mil cidadãos que contraíram a doença no país, e viveu na pele a angústia do isolamento forçado. 

O mesmo, que cumpriu quarentena institucional no Hospital de Campanha de Viana, depois de diagnosticado com o vírus Sars Cov-2, contou à ANGOP a experiência de conviver com a doença e a vida no interior da unidade hospitalar.

Na conversa, explica que a doença foi detectada num exame de despiste, quando tentava, como já é habitual, reportar um evento mediático num órgão representativo do Estado angolano. 

Num primeiro momento, deu reactivo (IGG) no teste rápido, e só depois de alguns dias veio a confirmação: a Covid-19 era um facto. 

"Primeiro acusei reactivo ao teste serológico, o que levou a equipa médica a isolar-me. Duas horas mais tarde fiz a confirmação com azaragatoa", narra o fotojornalista. 

André Mwenha ainda foi mandado para casa, mas depois de quatro dias recebeu o resultado positivo, para a sua tristeza. "Passados dois dias, fui recolhido pelo INEMA", testemunha.

Conforme o fotógrafo, que recebeu alta a 18 de Novembro, desde a altura da detecção do vírus que a Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19 não parou de o contactar, até ser transportado por uma viatura do Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola.

Apesar de toda a família testar negativo, durante os 19 dias de quarentena, na Zona Económica Especial Luanda-Bengo, rezava pela esposa e os filhos, porque "não gostaria que fossem parar no mesmo sítio, mesmo com os bons serviços".

"Os cuidados naquele hospital começam com a limpeza, alimentação, intervenção da equipa de psicólogos, de enfermagem e médicos. O pessoal médico entra sempre que tiver urgência, mas normalmente vai três a quatro vezes por dia ate à nave", descreve o antigo paciente. 

Sobre a acomodação, diz serem internados em salas e naves diferentes, havendo uma divisão de naves: Alas e UTI. Desta forma, prossegue, os pacientes são separados com base no estado clínico. No seu caso, como assintomático, foi posto na ALA de pacientes em estado moderado. 

"Quando cheguei, fui recebido pela médica, que me dirigiu até à ALA B1. De seguida, pediu-me que enviasse alguns dados, via Whats-App. Às 19h00, fui consultado por outra doutora, e no dia seguinte iniciei o tratamento", relata.

A medicação contemplava três injecções por dia. "Existe um grande elenco de profissionais de várias áreas, que aparecem frequentemente para assistir os doentes. Observei que a equipa que me recebeu já não era a mesma e pedi esclarecimentos. Foi-me dito que o regime de trabalho no centro obedece a 14 dias de labuta e outros 14 de quarentena", salienta. 

Entretanto, até agora André Mwenha não faz ideia de como contraiu o novo coronavirus, mas, depois de quase um mês internado, ficou com uma certeza: a Covid-19 é dramática. 

Hoje, está livre da pandemia, de volta à vida activa, pelo que agradece a todos quantos cuidaram de si em Calumbo e apela à sociedade para a necessidade de redobrar a vigilância. 

"No dia 18 de Novembro, recebi alta. Na minha saída do centro, passei por um local denominado túnel de desinfecção, onde fui pulverizado durante quatro minutos e, de seguida, passei para outro sítio para a desinfecção dos pertences pessoais. Depois submeteram-me a um inquérito e deram-me alta", regozija.    

Médica revela profissionalismo

Por sua vez, uma das médicas que participou da recuperação do profissional de Comunicação Social no hospital de campanha fala dos cuidados no tratamento dos pacientes. 

“Se o paciente tiver outras patologias, como a hipertensão arterial ou diabetes mellitus, é medicado e seguido, para que não venha a descompensar do seu quadro clínico. Se o doente tiver problemas renais cumpre com as suas sessões de hemodiálise nos seus respectivos dias programados”, desvenda. Segundo a profissional, saber que pode ajudar quem precisa do seu auxílio é reconfortante, porque isto representa amor ao próximo. 

Sublinha, entretanto, que o Estado está a gastar muito dinheiro para salvar os cidadãos, com a aquisição e instalação de meios à altura.

Quanto à sua preparação emocional para enfrentar diariamente os doentes de Covid-19, confidência que não é fácil, mas é possível. 

"Não é que não tenha medo, mas desde o momento que entro e saio da nave onde estão os infectados, faço sempre a minha oração e entrego tudo nas mãos de Deus. Ele é o  nosso maior protector", argumenta, sob anonimato. 

Narra que diariamente dão entrada naquela unidade hospitalar muitos pacientes, distribuídos por alas. Geralmente, o doente chega com semblante de medo e a pressão psicológica do que ouviu falar, mas internamente têm a responsabilidade de dar todo apoio e acalma-los.

“Nós apegamo-nos muito aos nossos pacientes. Eu, por exemplo, vejo-os como membros da minha família, e quando noto que terão alta vem aquela sensação de dever cumprido, com algumas lágrimas, devido a alegria deles (pulam e gritam). É, de facto, uma fase que eles venceram com o nosso auxílio", exprime. 

A médica explica que, desde que está destacada no centro, não se recorda de pacientes que já estiveram internados, receberam alta e voltaram a apanhar Covid-19 ou internado novamente.

"Acho que depois de saírem daqui, os paciente se retratam e tomam mais cuidado”, observa. 

Para evitar o contágio, diz que normalmente, quando sai da nave, vai à área de descontaminação e desinfecção com hipoclorito de sódio (lixívia), usa a máscara e mantém o distanciamento de um metro. 

Fora da instituição, não se expõe a aglomerados e só sai por extrema necessidade.

Sobre informações de maltratos e desdém de pacientes da terceira idade, afirma ser mentira e um acto totalmente desumano. "Nós, profissionais de saúde, temos o dever de cuidar daqueles que precisam de nós. Pode até perguntar para alguns pacientes de idade qual tem sido a nossa conduta", desafia. 

Por fim, a profissional da saúde avança que, no acto da alta, recomenda aos recuperados para cuidarem-se fora, conforme se cuidavam na nave, seguindo todas as regras impostas pela Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19, tal como o distanciamento social, a utilização da máscara facial e a lavagem ou desinfecção frequente das mãos. 

Como esta profissional, dezenas de técnicos trabalham diariamente, de forma árdua e determinada, para cuidar dos pacientes, naquele centro de internamento. A jornada é intensa e cheia de incertezas. Nunca se sabe quem é e quando chega um novo paciente.

Mas, entre tantos desafios e, às vezes, temor, um elemento sobressai entre os profissionais: o amor pela vida. É com esse sentimento que enfrentam de "peito aberto" o temível vírus, posicionando-se como guerreiros da linha frente.

A palavra de ordem, no centro, é salvar vidas, custe o que custar, venha o que vier, porque, afinal de conta, há que fazer valer, em qualquer circunstância, o juramento de salvar vidas.