GPL projecta "Corredor do Kwanza"

  • Manuel Gonçalves, director do Gabinete Provincial Cultura, Turismo, Juventude e Desportos (Arquivo)
Luanda – O Gabinete Provincial do Turismo, Cultura e Desporto do Governo de Luanda perspectiva desenvolver, a médio prazo, um projecto designado "Corredor do Kwanza", para potenciar o turismo local.

Por: Denilson de Jesus

A informação foi avançada, em Luanda, pelo responsável do sector, Manuel Gonçalves, que falava à ANGOP sobre os vários projectos para dinamizar a cultura e  aumentar as receitas na capital do país.

O Corredor do Kwanza, que contempla as províncias do Cuanza Norte e Sul, Malanje e até a sua nascente no Bié, tem um potencial muito forte, quer em termos de turismo, quer em termos de cultura.

Conforme Manuel Gonçalves, o projecto ainda está a ser preparado, para, depois, ser submetido ao Governo de Luanda.

O funcionário, que falava no âmbito do dossier Luanda, alusivo aos 445 anos da cidade capital, hoje assinalados, disse pretenderem, neste corredor, realizar festivais culturais e feiras de gastronomia.

Do seu ponto de vista, uma aposta que se deve ter em conta, no âmbito da iniciativa, é o conhecimento dos pratos típicos da cidade de Luanda e das demais províncias integradas no “Corredor do Kwanza”.

"Às vezes, em Luanda, come-se cangica só quando há infelicidade nas famílias, mas pode ser uma alimentação do dia-a-dia, assim como o sarrabulho”, disse.

Manuel Gonçalves é de opinião de que se  deve “facilitar” a vida dos operadores turísticos, sendo esta uma das questões em estudo, principalmente, para o roteiro turístico da cidade de Luanda.

A ideia é divulgar e fazer com que os munícipes possam conheçam os produtos existes na capital do país, em termo de turismo, e as agências de turismo/viagens possam operacionalizar essas rotas.

O entrevistado da ANGOP afirma que Luanda, por si, já é uma província turística com potencial para gerar receitas da indústria turística, através da Ilha do Mussulo, do Cabo, do parque da Quiçama e Cabo Ledo.

Pode ainda gerar recursos através da Lagoa da Kilunda e da extensão do território da Quiçama, e promover o chamado turismo religioso (peregrinações) na Muxima.

Outros locais que entende poderem ser explorados, no quadro desse projecto turístico, são a zona do São José de Calumbo, de Cacuaco e Santo António.

Recordou que ainda existe uma “cidade velha”, na baixa de Luanda, com diferentes atractivos turísticos, do ponto de vista de arquitectura, além daquilo que são as paisagens naturais da província.

A cidade tem diferentes monumentos que servem de "aliado" ao turismo, como o Sítio Histórico de Kifangondo (Cacuaco), Marco Histórico do Cazenga, Largo da Independência, com grande simbolismo.

De igual modo, tem os atractivos da dança e outros espectáculos que podem, facilmente, atrair turistas para Luanda.

Rede Hoteleira

Para que o projecto do “Corredor do Cuanza” dê certo, um factor fundamental seria o aumento da rede hoteleira em Luanda.

A esse respeito, Manuela Gonçalves reconheceu que o número de quartos não é suficiente, se forem feitas as exigências para aquilo que são as necessidades actuais, sem precisar números.

"Olhando para os últimos dois ou três anos, podemos dizer que o turismo em Angola era feito por estrangeiros na cidade de Luanda, a trabalho", expressou.

É de opinião que os angolanos devem virar as atenções para um turismo interno,  criando condições para os cidadãos se interessarem em fazer turismo de campismo e de massa, numa prática em que podem chegar num terminado lugar com as mínimas condições, em caravanas, montar as tendas e acampar, pagando um preço simbólico.

Cinema

Em relação à indústria cinematográfica, em Luanda, Manuel Gonçalves disse que grande parte das antigas salas foram todas  privatizadas, e a sua recuperação não é da responsabilidade do Estado.

"Os cinemas Avis (Karl Marx), Miramar, África, (Hoji-ya-Henda ), Lis (Cazenga),  Tivoli (Samba) Alfa (Ingombota), Ngola, São Domingo (Nelito Soares), Kilumba (Viana)  Kipaca (junto do Porto de Luanda), Atlântico (Vila Alice) são privados e não se pode exigir dos proprietários que continuem a apresentar filmes, salvo se o Estado fizer investimento para o efeito".

"Antes de 1992, quem detinha o monopólio da distribuição de filmes era o próprio Estado, através da Edicine, logo, os operadores e proprietários dos cinemas estavam condicionados à distribuição que o Estado fazia, lembrou o responsável.

Adiantou que passando para uma economia de mercado, em que o Estado deixou de ter esse papel, muitos proprietários tiveram dificuldades para acompanhar a dinâmica mundial e  deixaram de ter esse objecto inicial.

Lamentou, entretanto, o facto de, a nível internacional, as antigas salas de cinema terem outro conceito e, do ponto de vista do património material, serem conservadas para espectáculos e divertimentos públicos, mas em Angola deixarem de ter esse papel.

Esclareceu que, actualmente, o conceito de cinema se incorporou mais nos centros comerciais, sendo muito mais interactivo, dinâmico e capaz de proporcionar outro conceito de ir ao cinema, em que as famílias se juntam em outro espaço para se divertir, antes de aceder às sala de exibição.

Lembrou que, com a existência das novas tecnologias, contrariamente aos tempos em que só se podia ver um filme no cinema ou esperar pela televisão, hoje existem plataformas na internet, em casa, para quem não quer sair, e os cinemas, na sua forma tradicional, perderam um pouco com o surgimento destas ferramentas.

Carnaval vs Covid-19

Noutro domínio, Manuel Gonçalves reafirmou que este ano, devido à Covid-19, não haverá o Carnaval tradicional, com desfile na Nova Marginal de Luanda.

Todavia, disse existir um processo do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente no sentido de os grupos poderem exibir-se (em local a indicar) e realizarem lives do Entrudo, com transmissão pelas cadeias de televisão e plataformas digitais.

Com a não realização do Entrudo, segundo o responsável, perdem-se muitos postos de emprego directos e indirectos, com destaque para os costureiros e estilistas que confeccionam as indumentárias dos grupos, e para os músicos e intérpretes.

Por: Denilson de Jesus

A informação foi avançada, em Luanda, pelo responsável do sector, Manuel Gonçalves, que falava à ANGOP sobre os vários projectos para dinamizar a cultura e  aumentar as receitas na capital do país.

O Corredor do Kwanza, que contempla as províncias do Cuanza Norte e Sul, Malanje e até a sua nascente no Bié, tem um potencial muito forte, quer em termos de turismo, quer em termos de cultura.

Conforme Manuel Gonçalves, o projecto ainda está a ser preparado, para, depois, ser submetido ao Governo de Luanda.

O funcionário, que falava no âmbito do dossier Luanda, alusivo aos 445 anos da cidade capital, hoje assinalados, disse pretenderem, neste corredor, realizar festivais culturais e feiras de gastronomia.

Do seu ponto de vista, uma aposta que se deve ter em conta, no âmbito da iniciativa, é o conhecimento dos pratos típicos da cidade de Luanda e das demais províncias integradas no “Corredor do Kwanza”.

"Às vezes, em Luanda, come-se cangica só quando há infelicidade nas famílias, mas pode ser uma alimentação do dia-a-dia, assim como o sarrabulho”, disse.

Manuel Gonçalves é de opinião de que se  deve “facilitar” a vida dos operadores turísticos, sendo esta uma das questões em estudo, principalmente, para o roteiro turístico da cidade de Luanda.

A ideia é divulgar e fazer com que os munícipes possam conheçam os produtos existes na capital do país, em termo de turismo, e as agências de turismo/viagens possam operacionalizar essas rotas.

O entrevistado da ANGOP afirma que Luanda, por si, já é uma província turística com potencial para gerar receitas da indústria turística, através da Ilha do Mussulo, do Cabo, do parque da Quiçama e Cabo Ledo.

Pode ainda gerar recursos através da Lagoa da Kilunda e da extensão do território da Quiçama, e promover o chamado turismo religioso (peregrinações) na Muxima.

Outros locais que entende poderem ser explorados, no quadro desse projecto turístico, são a zona do São José de Calumbo, de Cacuaco e Santo António.

Recordou que ainda existe uma “cidade velha”, na baixa de Luanda, com diferentes atractivos turísticos, do ponto de vista de arquitectura, além daquilo que são as paisagens naturais da província.

A cidade tem diferentes monumentos que servem de "aliado" ao turismo, como o Sítio Histórico de Kifangondo (Cacuaco), Marco Histórico do Cazenga, Largo da Independência, com grande simbolismo.

De igual modo, tem os atractivos da dança e outros espectáculos que podem, facilmente, atrair turistas para Luanda.

Rede Hoteleira

Para que o projecto do “Corredor do Cuanza” dê certo, um factor fundamental seria o aumento da rede hoteleira em Luanda.

A esse respeito, Manuela Gonçalves reconheceu que o número de quartos não é suficiente, se forem feitas as exigências para aquilo que são as necessidades actuais, sem precisar números.

"Olhando para os últimos dois ou três anos, podemos dizer que o turismo em Angola era feito por estrangeiros na cidade de Luanda, a trabalho", expressou.

É de opinião que os angolanos devem virar as atenções para um turismo interno,  criando condições para os cidadãos se interessarem em fazer turismo de campismo e de massa, numa prática em que podem chegar num terminado lugar com as mínimas condições, em caravanas, montar as tendas e acampar, pagando um preço simbólico.

Cinema

Em relação à indústria cinematográfica, em Luanda, Manuel Gonçalves disse que grande parte das antigas salas foram todas  privatizadas, e a sua recuperação não é da responsabilidade do Estado.

"Os cinemas Avis (Karl Marx), Miramar, África, (Hoji-ya-Henda ), Lis (Cazenga),  Tivoli (Samba) Alfa (Ingombota), Ngola, São Domingo (Nelito Soares), Kilumba (Viana)  Kipaca (junto do Porto de Luanda), Atlântico (Vila Alice) são privados e não se pode exigir dos proprietários que continuem a apresentar filmes, salvo se o Estado fizer investimento para o efeito".

"Antes de 1992, quem detinha o monopólio da distribuição de filmes era o próprio Estado, através da Edicine, logo, os operadores e proprietários dos cinemas estavam condicionados à distribuição que o Estado fazia, lembrou o responsável.

Adiantou que passando para uma economia de mercado, em que o Estado deixou de ter esse papel, muitos proprietários tiveram dificuldades para acompanhar a dinâmica mundial e  deixaram de ter esse objecto inicial.

Lamentou, entretanto, o facto de, a nível internacional, as antigas salas de cinema terem outro conceito e, do ponto de vista do património material, serem conservadas para espectáculos e divertimentos públicos, mas em Angola deixarem de ter esse papel.

Esclareceu que, actualmente, o conceito de cinema se incorporou mais nos centros comerciais, sendo muito mais interactivo, dinâmico e capaz de proporcionar outro conceito de ir ao cinema, em que as famílias se juntam em outro espaço para se divertir, antes de aceder às sala de exibição.

Lembrou que, com a existência das novas tecnologias, contrariamente aos tempos em que só se podia ver um filme no cinema ou esperar pela televisão, hoje existem plataformas na internet, em casa, para quem não quer sair, e os cinemas, na sua forma tradicional, perderam um pouco com o surgimento destas ferramentas.

Carnaval vs Covid-19

Noutro domínio, Manuel Gonçalves reafirmou que este ano, devido à Covid-19, não haverá o Carnaval tradicional, com desfile na Nova Marginal de Luanda.

Todavia, disse existir um processo do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente no sentido de os grupos poderem exibir-se (em local a indicar) e realizarem lives do Entrudo, com transmissão pelas cadeias de televisão e plataformas digitais.

Com a não realização do Entrudo, segundo o responsável, perdem-se muitos postos de emprego directos e indirectos, com destaque para os costureiros e estilistas que confeccionam as indumentárias dos grupos, e para os músicos e intérpretes.