Luanda recupera zonas verdes

  • Jardim estruturado na Avenida Ho Chi Minh
Luanda – Desde o lançamento do projecto "Adopte um Jardim", em 2020, pelo Governo Provincial de Luanda (GPL), alguns espaços verdes e jardins estão a "renascer", conferindo à capital do país uma nova imagem e um ambiente cada vez mais saudável.

(Por Luís do Nascimento)

Actualmente, a cidade, com mais de sete milhões de habitantes, conta com dezenas de novas zonas verdes, espalhadas em diferentes municípios, resultado de investimentos públicos e, nalgumas situações, de parcerias com actores privados.      

Um destes espaços é o jardim defronte ao largo do Cemitério do Alto das Cruzes, no distrito urbano da Ingombota, município de Luanda, cujos canteiros estão em tratamento para receber, brevemente, nova relva, novas plantas e novos arbustos.

Outro exemplo é o espaço da zona do Eixo Viário, onde foram reactivados os jardins e foi construída uma quadra desportiva para prática regular de exercícios físicos.         

Com vista a deixar a capital do país mais verde, foi também "adoptado" o jardim da rotunda defronte a uma universidade privada, na Rua Primeiro Congresso do MPLA.

Entre os espaços que nascem nos últimos tempos, em Luanda, destaca-se, igualmente, o jardim localizado na Rua Comandante Gika, no largo da Pólio, erguido em homenagem às crianças dos zero aos cinco anos de idade imunizadas contra a paralisia infantil.

Já recuperado, o espaço serve hoje de chamariz para que os transeuntes possam fazer fotografias e beneficiar de ar puro, cenário quase idêntico ao do jardim da rotunda do Zamba 2 (Maianga) e o do Chamavo (Ingombota), também com imagem renovada.  

De melhorias em Luanda, em termos de zonas verdes, não é tudo. O Largo das Heroínas (Maianga), espaço construído em honra às mulheres que se dedicaram à luta de libertação nacional, encontra-se em obras, resumidas na reabilitação de canteiros e retirada do capim.

Naquele histórico espaço, decorrem trabalhos de preparação do solo, para que seja recolocada a relva e  plantados novos arbustos, além da poda das árvores e da criação de canteiros adjacentes.

A propósito destes trabalhos, o director municipal do Serviço Comunitários e Ambiente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), Sílvio Alvarenga, confirmou que no município de Luanda a recuperação dos espaços verdes está em curso através do Projecto "Adopte um Jardim".

Em declarações à ANGOP, explicou que, no âmbito deste projecto, as empresas participam de um concurso público para o efeito, através do qual são seleccionadas e recebem o espaço para a manutenção, em função dos recursos financeiros disponíveis.

Segundo aquela fonte, as áreas estão também a ser reabilitadas através de contratos de prestação de serviço, explicando que a empresa responsável por cuidar do espaço verde pode geri-lo com outros serviços, desde que garanta a sua manutenção.

A publicidade das empresas no recinto, de acordo com o responsável, é uma forma encontrada para o tratamento dos jardins na municipalidade, em função dos poucos recursos financeiros da CACL.

Jardins abandonados

Entretanto, nem tudo ainda é um "mar de rosas" em Luanda, no domínio da melhoria da imagem e recuperação das zonas verdes, particularmente dos jardins.

Durante uma reportagem em vários municípios, a ANGOP constatou que o jardim do largo da Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, por exemplo, está actualmente em mau estado.

O mesmo cenário regista-se no jardim da Avenida 4 de Fevereiro, que tem os arbustos, plantas e a relva a secar. Os canteiros, por sua vez, servem "de cama" para os sem abrigo.

No mesmo estado está o jardim da Igreja da Sagrada Família, que, além de estar abandono, serve de dormitório para os familiares dos pacientes internados na maternidade Lucrécia Paim.

Já no largo do Soweto, distrito urbano do Rangel, os canteiros servem de travessia para transeuntes, cenário semelhante ao da Avenida Hoji-Ya-Henda, onde o espaço adoptado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) Angola serve, também, de dormitório para as crianças e adultos de rua.

De espaço em espaço, o largo Rio de Janeiro, na Avenida Revolução de Outubro, encontra-se em estado de total abandono, com um cenário de relva seca, muito capim, plantas e arbustos empoeirados, sinal evidente de falta de manutenção há longo tempo.

A Zona Verde do Alvalade

Conquanto, a Zona Verde do Alvalade, distrito urbano da Maianga, já foi uma das maiores áreas verdes da cidade de Luanda e ponto de referência para lazer dos luandenses.

Depois de mais de 20 anos encerrado para reabilitação, o espaço reabriu este ano, com a alteração parcial do objecto anterior, que não previa a área de restauração.

As obras da histórica Zona Verde do Alvalade têm a sua primeira e segunda fase já concluídas, contando hoje com uma área de restauração e zona de lazer.  

O início da terceira e quarta fase das obras de requalificação da Zona Verde do Alvalade está a depender da disponibilidade financeira do Ministério das Finanças (MINF), segundo uma fonte da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL).

De acordo com esta mesma fonte, a empreitada tem já identificada a empresa construtora e o fiscal da obra, que venceram o concurso de adjudicação promovido pela CACL, precisando que o impasse está no pagamento para a execução dos trabalhos.

Prevê-se, essencialmente, implementar, no âmbito da terceira e quarta fase do projecto, um espaço fundamentalmente para actividades sócio-culturais.

O espaço teve a sua primeira e segunda fase abertas, passando a contar com três restaurantes e outras áreas destinadas às actividades culturais multidisciplinares.

O investimento do grupo privado Sal e Brasa orçou em 450 milhões de kwanzas, e ajudou a criar mais de 100 novos empregos directos e indirectos.

Conforme o gestor dos empreendimentos, Nelson Oliveira, devido à pandemia da Covid-19 a força de trabalho foi reduzida para 40 por cento, em conformidade com as orientações das autoridades sanitárias.

Precisou que se prevê pagar de impostos, mensalmente, nove a 12 milhões de kwanzas. Para o pagamento de salários, prevê-se oito a 11 milhões mensais.

Por sua vez, o médico especialista em saúde pública, Caetano José Miguel, disse ser importante que se proteja o meio ambiente, defendendo a plantação de mais árvores e a criação de espaços verdes que contribuem para a vida sadia dos munícipes.

Já o sociólogo Francisco Júnior referiu que o projecto “Adopte um Jardim” foi uma iniciativa louvável das autoridades, porque diminui os custos do Governo e dá a possibilidade das empresas fazerem publicidade que fica à vista de todos.

Lembrou que é muito caro a manutenção de um espaço verde, sublinhando que “criar o jardim aparenta ser a coisa mais fácil, mas manter o espaço sempre regado e bem tratado acarreta muitos custos”.

 

(Por Luís do Nascimento)

Actualmente, a cidade, com mais de sete milhões de habitantes, conta com dezenas de novas zonas verdes, espalhadas em diferentes municípios, resultado de investimentos públicos e, nalgumas situações, de parcerias com actores privados.      

Um destes espaços é o jardim defronte ao largo do Cemitério do Alto das Cruzes, no distrito urbano da Ingombota, município de Luanda, cujos canteiros estão em tratamento para receber, brevemente, nova relva, novas plantas e novos arbustos.

Outro exemplo é o espaço da zona do Eixo Viário, onde foram reactivados os jardins e foi construída uma quadra desportiva para prática regular de exercícios físicos.         

Com vista a deixar a capital do país mais verde, foi também "adoptado" o jardim da rotunda defronte a uma universidade privada, na Rua Primeiro Congresso do MPLA.

Entre os espaços que nascem nos últimos tempos, em Luanda, destaca-se, igualmente, o jardim localizado na Rua Comandante Gika, no largo da Pólio, erguido em homenagem às crianças dos zero aos cinco anos de idade imunizadas contra a paralisia infantil.

Já recuperado, o espaço serve hoje de chamariz para que os transeuntes possam fazer fotografias e beneficiar de ar puro, cenário quase idêntico ao do jardim da rotunda do Zamba 2 (Maianga) e o do Chamavo (Ingombota), também com imagem renovada.  

De melhorias em Luanda, em termos de zonas verdes, não é tudo. O Largo das Heroínas (Maianga), espaço construído em honra às mulheres que se dedicaram à luta de libertação nacional, encontra-se em obras, resumidas na reabilitação de canteiros e retirada do capim.

Naquele histórico espaço, decorrem trabalhos de preparação do solo, para que seja recolocada a relva e  plantados novos arbustos, além da poda das árvores e da criação de canteiros adjacentes.

A propósito destes trabalhos, o director municipal do Serviço Comunitários e Ambiente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), Sílvio Alvarenga, confirmou que no município de Luanda a recuperação dos espaços verdes está em curso através do Projecto "Adopte um Jardim".

Em declarações à ANGOP, explicou que, no âmbito deste projecto, as empresas participam de um concurso público para o efeito, através do qual são seleccionadas e recebem o espaço para a manutenção, em função dos recursos financeiros disponíveis.

Segundo aquela fonte, as áreas estão também a ser reabilitadas através de contratos de prestação de serviço, explicando que a empresa responsável por cuidar do espaço verde pode geri-lo com outros serviços, desde que garanta a sua manutenção.

A publicidade das empresas no recinto, de acordo com o responsável, é uma forma encontrada para o tratamento dos jardins na municipalidade, em função dos poucos recursos financeiros da CACL.

Jardins abandonados

Entretanto, nem tudo ainda é um "mar de rosas" em Luanda, no domínio da melhoria da imagem e recuperação das zonas verdes, particularmente dos jardins.

Durante uma reportagem em vários municípios, a ANGOP constatou que o jardim do largo da Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, por exemplo, está actualmente em mau estado.

O mesmo cenário regista-se no jardim da Avenida 4 de Fevereiro, que tem os arbustos, plantas e a relva a secar. Os canteiros, por sua vez, servem "de cama" para os sem abrigo.

No mesmo estado está o jardim da Igreja da Sagrada Família, que, além de estar abandono, serve de dormitório para os familiares dos pacientes internados na maternidade Lucrécia Paim.

Já no largo do Soweto, distrito urbano do Rangel, os canteiros servem de travessia para transeuntes, cenário semelhante ao da Avenida Hoji-Ya-Henda, onde o espaço adoptado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) Angola serve, também, de dormitório para as crianças e adultos de rua.

De espaço em espaço, o largo Rio de Janeiro, na Avenida Revolução de Outubro, encontra-se em estado de total abandono, com um cenário de relva seca, muito capim, plantas e arbustos empoeirados, sinal evidente de falta de manutenção há longo tempo.

A Zona Verde do Alvalade

Conquanto, a Zona Verde do Alvalade, distrito urbano da Maianga, já foi uma das maiores áreas verdes da cidade de Luanda e ponto de referência para lazer dos luandenses.

Depois de mais de 20 anos encerrado para reabilitação, o espaço reabriu este ano, com a alteração parcial do objecto anterior, que não previa a área de restauração.

As obras da histórica Zona Verde do Alvalade têm a sua primeira e segunda fase já concluídas, contando hoje com uma área de restauração e zona de lazer.  

O início da terceira e quarta fase das obras de requalificação da Zona Verde do Alvalade está a depender da disponibilidade financeira do Ministério das Finanças (MINF), segundo uma fonte da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL).

De acordo com esta mesma fonte, a empreitada tem já identificada a empresa construtora e o fiscal da obra, que venceram o concurso de adjudicação promovido pela CACL, precisando que o impasse está no pagamento para a execução dos trabalhos.

Prevê-se, essencialmente, implementar, no âmbito da terceira e quarta fase do projecto, um espaço fundamentalmente para actividades sócio-culturais.

O espaço teve a sua primeira e segunda fase abertas, passando a contar com três restaurantes e outras áreas destinadas às actividades culturais multidisciplinares.

O investimento do grupo privado Sal e Brasa orçou em 450 milhões de kwanzas, e ajudou a criar mais de 100 novos empregos directos e indirectos.

Conforme o gestor dos empreendimentos, Nelson Oliveira, devido à pandemia da Covid-19 a força de trabalho foi reduzida para 40 por cento, em conformidade com as orientações das autoridades sanitárias.

Precisou que se prevê pagar de impostos, mensalmente, nove a 12 milhões de kwanzas. Para o pagamento de salários, prevê-se oito a 11 milhões mensais.

Por sua vez, o médico especialista em saúde pública, Caetano José Miguel, disse ser importante que se proteja o meio ambiente, defendendo a plantação de mais árvores e a criação de espaços verdes que contribuem para a vida sadia dos munícipes.

Já o sociólogo Francisco Júnior referiu que o projecto “Adopte um Jardim” foi uma iniciativa louvável das autoridades, porque diminui os custos do Governo e dá a possibilidade das empresas fazerem publicidade que fica à vista de todos.

Lembrou que é muito caro a manutenção de um espaço verde, sublinhando que “criar o jardim aparenta ser a coisa mais fácil, mas manter o espaço sempre regado e bem tratado acarreta muitos custos”.