Via Assustadora - a estrada da morte

  • Acidente rodiaviário na via pública.
Luanda – Quem passa pela conhecida "Via Assustadora", no troço entre o quilómetro 35 e Maria Teresa, na Estrada Nacional 230, município de Icolo e Bengo, província de Luanda, facilmente se dá conta que o troço é propenso a acidentes rodoviários, muitos dos quais fatais.

(Por Albino António)

Trata-se de uma estrada que vem apresentando, nos últimos dois anos, sinais avançados de degradação e índices crescentes de acidentes, principalmente atropelamentos.

Na base deste fenómeno está, essencialmente, a fraca iluminação da via, que se vem tornando, ano após ano, numa autêntica "zona assombrada", particularmente para crianças.

Conforme dados das autoridades policiais a que a ANGOP teve acesso, só no primeiro trimestre deste ano, foram registados mais de 20 acidentes de viação, com um total de nove mortos.

Para não variar, entre as vítimas mortais estiveram três crianças da mesma família, com idades compreendidas entre os 9 e os 13 anos, atropeladas em Fevereiro último, quando tentavam atravessar a estrada para ir brincar junto de uma árvore.

Entretanto, ocorrência idêntica já havia sido registada em 2020, junto da Centralidade do 44, onde cinco pessoas da mesma família perderam a vida na sequência de uma colisão, em plena noite.

Além da questão da perigosidade da via, outro aspecto tem vindo a tirar o sono aos moradores desta circunscrição: a falta de solidariedade dos motoristas, como afirma Delfina Rodrigues Francisco, mãe das três crianças atropeladas em Fevereiro último.

De acordo com a cidadã, depois de atropelados, os seus filhos não tiveram socorro, acabando por falecer no local. O automobilista, simplesmente, pôs-se em fuga.

"Até hoje nem sei quem atropelou os meus filhos. Matou-os e pós-se em fuga, para não se responsabilizar pelo óbito ou dizer algo de consolo à família”, lamenta a mãe.

A propósito, o chefe de transgressões e peritagem da Secção Municipal de Trânsito e Segurança Rodoviária de Icolo e Bengo, João Teixeira, explica que além dos nove mortos, as autoridades registaram no mesmo período 18 feridos graves e seis leves, no primeiro trimestre de 2021.

Os 20 acidentes de que resultaram estes feridos, adianta a fonte, causaram vários danos materiais ainda por avaliar, pelas autoridades policiais locais.

Em concreto, precisa, foram notificados sete atropelamentos, seis colisões, dois capotamentos, dois embates em postes de transportação de corrente eléctrica e três despistes.

No entender do oficial, vários factores concorrem para que a via se torne tão letal, tais como a falta de iluminação, os encadeamentos, as lombas e o mau estado técnicos de muitas viaturas.

Adicionado a isto, afirma o perito, está a negligência dos peões na travessia e o excesso de velocidade dos automobilistas, factores que concorrem para o aumento da sinistralidade nesta localidade rural.

Ainda que não pareça, o problema na Via Assustadora já tira o sono a milhares de munícipes desta localidade, que pedem a intervenção do Estado na melhoria do tapete asfáltico e da iluminação pública, a fim de reduzir-se a tendência de crescimento dos acidentes fatais.  

No entender dos munícipes, a colocação de quebra molas na entrada da Centralidade do 44, antes do desvio da comuna de Bom Jesus e depois do Centro de Saúde localizado no bairro da Sanzala, acompanhada da iluminação pública poderiam diminuir, significativamente, as ocorrências.

De acordo com Conceição Francisco José, 63 anos de idade, moradora no bairro do KM44 há mais de 20 anos, o número de acidentes é muito alto para uma zona rural.

"Tem vitimado inúmeras famílias, sendo necessária a intervenção urgente das autoridades administrativas na colocação de quebra molas", apela a cidadã.

Por sua vez, Melício José, de 72 anos, morador da Sanzala há mais de 20 anos, confirma que os acidentes de viação têm sido uma constante, vitimando e mutilando muita gente, incluindo crianças.

A esse respeito, o aldeão Correia Manuel, 85 anos de idade, residente no mesmo bairro há 40 anos, acredita que um dos motivos da alta taxa de sinistralidade na zona seja a condução em estado de embriagues dos automobilistas e o excesso de velocidade.

Aponta ainda como motivo dos acidentes e atropelamentos a falta de reguladores de trânsito, daí sugerir a colocação de um controlo da Polícia Nacional, que funcione 24 horas por dia, com motos e viaturas para ir atrás dos condutores em fuga, depois de atropelarem transeuntes.

Para reduzir as ocorrências, o também inspector João Teixeira informa que está em curso um plano da Direcção Provincial de Trânsito e Segurança Rodoviária de Luanda, assente na educação rodoviária dos cidadãos, implementado em escolas primárias e do Iº ciclo.

O programa passa pela sensibilização de alunos, estudantes, pais, encarregado de educação e automobilistas, no sentido de serem mais prudentes na condução de viaturas e motociclos, na travessia de vias e no uso de bebidas alcoólicas.

Por sua vez, o director municipal dos transportes, tráfego e mobilidade, Agostinho de Almeida, refere que os pontos mais críticos em Icolo e Bengo são os troços que começam no novo Aeroporto Internacional até Maria Teresa, e na EN110, da comuna da Funda (Cacuaco) a Catete (Icolo e Bengo).

Considera, entretanto, necessária a colocação de vários sinais de trânsito verticais, horizontais e de pedonais em zonas com maior fluxo populacional.

Uma fonte do Gabinete Municipal de Estudo e Planeamento e Estatística local deu a conhecer que o Governo de Luanda pretende colocar, este ano, postos de iluminação pública na via que passa pelo KM-44 até antes da entrada da localidade de Mazozo.

(Por Albino António)

Trata-se de uma estrada que vem apresentando, nos últimos dois anos, sinais avançados de degradação e índices crescentes de acidentes, principalmente atropelamentos.

Na base deste fenómeno está, essencialmente, a fraca iluminação da via, que se vem tornando, ano após ano, numa autêntica "zona assombrada", particularmente para crianças.

Conforme dados das autoridades policiais a que a ANGOP teve acesso, só no primeiro trimestre deste ano, foram registados mais de 20 acidentes de viação, com um total de nove mortos.

Para não variar, entre as vítimas mortais estiveram três crianças da mesma família, com idades compreendidas entre os 9 e os 13 anos, atropeladas em Fevereiro último, quando tentavam atravessar a estrada para ir brincar junto de uma árvore.

Entretanto, ocorrência idêntica já havia sido registada em 2020, junto da Centralidade do 44, onde cinco pessoas da mesma família perderam a vida na sequência de uma colisão, em plena noite.

Além da questão da perigosidade da via, outro aspecto tem vindo a tirar o sono aos moradores desta circunscrição: a falta de solidariedade dos motoristas, como afirma Delfina Rodrigues Francisco, mãe das três crianças atropeladas em Fevereiro último.

De acordo com a cidadã, depois de atropelados, os seus filhos não tiveram socorro, acabando por falecer no local. O automobilista, simplesmente, pôs-se em fuga.

"Até hoje nem sei quem atropelou os meus filhos. Matou-os e pós-se em fuga, para não se responsabilizar pelo óbito ou dizer algo de consolo à família”, lamenta a mãe.

A propósito, o chefe de transgressões e peritagem da Secção Municipal de Trânsito e Segurança Rodoviária de Icolo e Bengo, João Teixeira, explica que além dos nove mortos, as autoridades registaram no mesmo período 18 feridos graves e seis leves, no primeiro trimestre de 2021.

Os 20 acidentes de que resultaram estes feridos, adianta a fonte, causaram vários danos materiais ainda por avaliar, pelas autoridades policiais locais.

Em concreto, precisa, foram notificados sete atropelamentos, seis colisões, dois capotamentos, dois embates em postes de transportação de corrente eléctrica e três despistes.

No entender do oficial, vários factores concorrem para que a via se torne tão letal, tais como a falta de iluminação, os encadeamentos, as lombas e o mau estado técnicos de muitas viaturas.

Adicionado a isto, afirma o perito, está a negligência dos peões na travessia e o excesso de velocidade dos automobilistas, factores que concorrem para o aumento da sinistralidade nesta localidade rural.

Ainda que não pareça, o problema na Via Assustadora já tira o sono a milhares de munícipes desta localidade, que pedem a intervenção do Estado na melhoria do tapete asfáltico e da iluminação pública, a fim de reduzir-se a tendência de crescimento dos acidentes fatais.  

No entender dos munícipes, a colocação de quebra molas na entrada da Centralidade do 44, antes do desvio da comuna de Bom Jesus e depois do Centro de Saúde localizado no bairro da Sanzala, acompanhada da iluminação pública poderiam diminuir, significativamente, as ocorrências.

De acordo com Conceição Francisco José, 63 anos de idade, moradora no bairro do KM44 há mais de 20 anos, o número de acidentes é muito alto para uma zona rural.

"Tem vitimado inúmeras famílias, sendo necessária a intervenção urgente das autoridades administrativas na colocação de quebra molas", apela a cidadã.

Por sua vez, Melício José, de 72 anos, morador da Sanzala há mais de 20 anos, confirma que os acidentes de viação têm sido uma constante, vitimando e mutilando muita gente, incluindo crianças.

A esse respeito, o aldeão Correia Manuel, 85 anos de idade, residente no mesmo bairro há 40 anos, acredita que um dos motivos da alta taxa de sinistralidade na zona seja a condução em estado de embriagues dos automobilistas e o excesso de velocidade.

Aponta ainda como motivo dos acidentes e atropelamentos a falta de reguladores de trânsito, daí sugerir a colocação de um controlo da Polícia Nacional, que funcione 24 horas por dia, com motos e viaturas para ir atrás dos condutores em fuga, depois de atropelarem transeuntes.

Para reduzir as ocorrências, o também inspector João Teixeira informa que está em curso um plano da Direcção Provincial de Trânsito e Segurança Rodoviária de Luanda, assente na educação rodoviária dos cidadãos, implementado em escolas primárias e do Iº ciclo.

O programa passa pela sensibilização de alunos, estudantes, pais, encarregado de educação e automobilistas, no sentido de serem mais prudentes na condução de viaturas e motociclos, na travessia de vias e no uso de bebidas alcoólicas.

Por sua vez, o director municipal dos transportes, tráfego e mobilidade, Agostinho de Almeida, refere que os pontos mais críticos em Icolo e Bengo são os troços que começam no novo Aeroporto Internacional até Maria Teresa, e na EN110, da comuna da Funda (Cacuaco) a Catete (Icolo e Bengo).

Considera, entretanto, necessária a colocação de vários sinais de trânsito verticais, horizontais e de pedonais em zonas com maior fluxo populacional.

Uma fonte do Gabinete Municipal de Estudo e Planeamento e Estatística local deu a conhecer que o Governo de Luanda pretende colocar, este ano, postos de iluminação pública na via que passa pelo KM-44 até antes da entrada da localidade de Mazozo.